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Veracidade

Vera Botta (*)

Da aridez da política à fertilidade das justas homenagens

No balanço da semana que se encerra podemos concluir que seu início e seu fim foram dignos de justas homenagens. Na segunda-feira, presenciamos o reconhecimento público, na pessoa do cidadão araraquarense Danilo Miranda, do espírito inovador e transformador da cultura implementada pelo Sesc em Araraquara. Ontem, fechando com chave de ouro a semana, a valorização do saber, da doação, da cidadania, na emocionante entrega do título de Cidadão Araraquarense ao Professor Francisco Borba.

Professor Borba: mestre, cidadão do mundo, de fato e de direito, araraquarense

Mais uma coluna especial. Hoje é dia de falarmos do querido professor Borba. Professor Francisco da Silva Borba. Homenageá-lo é para mim um motivo de alegria e de celebração. De reconhecimento do privilégio que tenho, sendo vereadora, em ser mensageira do orgulho que todos nós sentimos em tê-lo no nosso ninho de luz, como dizia Mário de Andrade e nomeá-lo como um de nós.

Araraquara como sua morada

Este título vem como um ato de afeto, em reconhecimento aos códigos de amor que têm sido o norte de sua vida. Vida que tem semeado e deixado muitos frutos, vida que tem esclarecido mentes, iluminado espíritos e aquecido corações. Vida que tem sido abençoada, pela sua disposição de tudo dar para que outras vidas possam também receber raios de luz.

Peço licença para invadir alguns dos seus lugares. De onde vem sua garra, sua obstinação, no bom sentido do termo? Do seu pai que nas fazendas de café mostrava, na reação esquentada aos olhares enviesados do patrão, a disposição de lutar por direitos e a vontade apaixonada de ver os filhos na escola? Do esforço terno e firme de sua mãe de fazer o milagre da multiplicação dos pães para não deixar nada faltar para seus meninos? E tudo era feito com simplicidade, o possível era o caminho seguido. Ter que ir à escola sem calçar sapatos, por necessidade, não tirou em nada a vivacidade do menino Francisco e o par de botinas, comprado com sacrifício por seu pai passou a ser alegremente usado a anunciar sua chegada aqui e acolá…

Do menino que andava descalço ao homem da criação

E sua infância tão bem retratada por José Wellington Pinto em O menino que andava descalço lhe dá, com certeza, um orgulho enorme da conquista, do sacrifício trilhado com dignidade. Borba trabalhava e estudava, enfrentando o que viesse, sem deixar, no entanto, que a labareda de sua paixão, dar aulas fosse apagada. É educador no sentido pleno do termo, educador pelo seu entusiasmo em trabalhar com a linguagem humana, educador pela sua ética, pelo seu continuado estímulo aos seus alunos.

No começo da década de 60, veio para a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Araraquara e arregaçou literalmente as mangas para fazer da Lingüística, no momento implantada nos cursos de Letras, uma preciosa pedra a qual se entregou com total dedicação, para lapidá-la bem, como uma preciosidade e, como tal, ele marcou os rumos da pós-graduação da Unesp na área de Letras.

Nestes mais de 40 anos, a marca da coragem, da vontade de ir além, enriquecendo o ensino da língua pautou sua vida. Cidadão do mundo que tem, em qualquer parte que vá, passaporte garantido para estar na galeria acadêmica dos melhores especialistas em usos do português. O menino que brincava com seu irmão de encontrar palavras nos dicionários tem, no conjunto de obras, uma brilhante galáxia.

Um período de renovações

E de quantas lutas vem sendo sua caminhada? Peço licença para abrir mais um campo de sua trajetória e falar dos seus 8 anos na diretoria da Faculdade de Ciências e Letras. Período de inovação nas concepções, nos valores, nas obras. Carregou pedras e semeou flores, literalmente. Foi parteiro do Campus da Unesp. Plantou árvores, semeou sonhos.

Tenho orgulho em ter desfrutado, como professora, deste tempo em que você dirigiu o Campus. Tempos que nos fazem lembrar, apesar das zonas de sombras, de muitos pontos luminosos que permanecem fincados em nossa memória.

O amor incondicional pela sua escola

Seu ato maior de doação está, sem dúvidas, no amor incondicional que tem posto na Associação de Atendimento Educacional Especializadas há mais de 10 anos. Expressão de amor total, verdadeiro, ao qual você se entregou pelo amor à Aninha que é, como você diz, um anjo do Senhor, que veio para ensinar a você e à Márcia, sua cúmplice incondicional em toda esta caminhada, o verdadeiro sentido da vida.Um anjo ao qual se juntaram muitos outros…E você e a Márcia, ainda que o controle do leme seja escorregadio e sofrido, têm dado a nós todos muitas lições de vida…

Certamente, estas lições têm se multiplicado…têm mostrado a muitos como o amor vence barreiras de preconceito e as transforma em convite à vida, à doação. Araraquara, Morada do Sol, da Cidadania, o acolhe de braços abertos, como filho herdeiro de sua luz, de sua força, de sua magia. Receba esta homenagem que parte de todos os que o admiram e o querem bem e estão emocionados por tê-lo conosco. Que você continue na realização dos sonhos, nas utopias, no verde da esperança, na guarda dos anjos que estão sob suas asas ter, como araraquarense, força para seguir adiante neste inesperado e poderoso ciclo da existência que nada mais é do que uma alternância de perdas e de ganhos.

Pausas para homenagens justas são sempre prazerosas. Difícil é a gente conviver com aquele que pautam a ação política pela pobreza de espírito! É por isso que preferimos os lampejos de luz. A Coluna fica por aqui. Boa semana a todos. Até a próxima!

(*) É vereadora pelo PT e pesquisadora da Uniara.

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