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Vera Botta (*)

Quebre o gelo sem atiçar o fogo

A campanha do agasalho lançada na última segunda-feira pelo Fundo Social da Solidariedade com o tema “Quebre o gelo” traz um forte apelo. Corações e mentes unidos em um pacto de solidariedade. Num mundo de tantos individualismos, conselheiros do Fundo, diretoria do Fisa mostraram no incentivo à doação de um agasalho que ainda há espaço para ações voluntárias e despojadas. Há entre os 38 parceiros do Fundo elos alimentados pelo altruísmo, pela vontade de olhar do lado e sentir que por trás do ato de agasalhar, há um gesto de afeto, um toque de alma. Recordes vêm sendo quebrados nos números de peças arrecadadas, ano a ano. O mais importante é que, por trás das quase 38000 peças entregues em 2004 a 95 entidades de nossa cidade, predominou a vontade de se dar, de sair do circuito egoísta de quem só consegue enxergar o próprio umbigo. Ou alguém que olha e não vê. “Alguns não conseguem afrouxar suas próprias cadeias, nem estão preparados para se deixar queimar em sua própria chama”, são palavras de um escritor que valem para o aqui e agora…

Da campanha “quebre o gelo à saga das queimadas”

Relatórios de órgãos conceituados e pesquisas científicas têm demonstrado aquilo que todos nós sentimos em nossa saúde, em nossos lares. Em recente investigação divulgada, o IBGE traçando um diagnóstico do meio ambiente em 5560 municípios brasileiros, concluiu que as queimadas são a principal causa da poluição atmosférica nas cidades brasileiras. Cerca de um terço dos municípios brasileiros possui Conselhos do Meio Ambiente, 30% haviam iniciado a implantação local da agenda 21 e 68% tinham órgão ambiental específico. Se, pelo fato de termos o Condema e uma Coordenadoria do Meio Ambiente estamos no ranking das cidades que avançaram no enfrentamento da questão ambiental, nada temos a comemorar no terreno aquecido pelas queimadas. Pelo contrário, como Coordenadora Municipal do Meio Ambiente, tenho sentido a urgência de ações integradas que possam, pelo menos, minimizar o efeito perverso desse fator que nos deixa doentes e raivosos. Não há nada a fazer???

E Araraquara contra o fogo???

Projeto iniciado com seriedade e vontade política na gestão de Almir Zankul. Nas contrapartidas buscadas para apagar o fogo dos terrenos vazios – e eles ainda são cerca de 40.000 em Araraquara!!! – nas campanhas de divulgação, no material informativo distribuído aos proprietários dos terrenos com os carnês do IPTU, orientando sobre a limpeza dos terrenos estavam decisões políticas de levar adiante ações educativas e punitivas para dizer em alto e bom som… “Basta de atiçar o fogo e mexer com as nossas vidas”.

A Campanha teve efeitos. Menores do que os esperados

Penalizações por multas foram instituídas. E as autuações têm vindo em um crescendo assustador!!! A Coordenadoria do Meio Ambiente atende no Disque-denúncia – 3335.9000 – diariamente pedidos de S.O.S. e não dá conta de todos os chamados, assim como não se consegue apagar todos os incêndios, apesar da boa vontade do Corpo de Bombeiros. Nem só de boas intenções é construída uma mudança!!! Precisamos de coragem e de integração nas ações!!! Fotos são tiradas, lavra-se a autuação, os proprietários recorrem, sob o argumento de que não são eles que ateiam fogo nos terrenos. A cada ano, o ciclo maldito recomeça com mais vigor… Não basta culpabilizar ou dizer que a fumaça tem que ser aceita como um mal necessário. Daí, nossa vontade de associar às ações punitivas, um grande mutirão de ações educativas que envolvam a comunidade. Que não se espere soluções mágicas por parte dos poderes, porque elas não existem!!! Mas que se busquem formas de construir outros pactos, nas contrapartidas das usinas que têm igualmente que pagar o preço pelo duro legado das queimadas de cana-de-açúcar, no envolvimento dos agentes multiplicadores de conscientização dos males causados pelas queimadas, na modificação do sistema de limpeza dos terrenos, de modo a não ficar resíduos que facilite o atear fogo. O que não se pode é deixar nossa Araraquara à mercê dos efeitos comprovadamente nocivos que fazem das queimadas personagens indigestos a invadir nosso cotidiano.

Quem tem a responsabilidade???

Não faz ainda um mês que assumi a Coordenadoria do Meio Ambiente. Indiscutivelmente nos estímulos e nas cobranças recebidas, sinto muito fortemente a necessidade extrema de uma postura diante das queimadas. Para isso, gostaria de convidar todos os que se sentem invadidos por esta poluição danosa, que sejam parceiros desta difícil empreitada de enfrentar com vontade política, com ações preventivas e educativas, com cobranças para que os donos de terrenos vazios recebam mais do que multas, pressão da sociedade e dos poderes para enterrar, de vez, suas pretensões de especulação e de reserva de mercado fazendo sua parte para que Araraquara tenha uma cidadania despoluída. Vamos quebrar o gelo das impunidades??? E lutar com solidariedade contra o fogo???

Um sinal de alerta, o Plano Diretor não pode ser queimado

Um plano que tem nos zoneamento ambiental e cultural inovações, que passou por um processo de discussão na gestão anterior do Legislativo e, mais do que tudo, se abriu à participação da sociedade tem que ser aprovado!!! Por muitas e muitas razões… Por não deixar alterações do uso do solo urbano ao sabor “Deus dará” ou das pressões de interesse particulares. Por trazer parâmetros urbanísticos para a avaliação de índices de aproveitamento dos terrenos e das mudanças de zoneamento… criando uma cidade socialmente mais justa e saudável!!! Com certeza, uma medida de bom senso entre quebrar o gelo e atiçar o fogo, o Plano Diretor merece o comprometimento dos nossos vereadores representantes da nossa cidade!!! De olho na Câmara!!! A Coluna fica por aqui. Uma boa semana a todos. Até a próxima!!!

(*) É pesquisadora da Uniara e colaboradora do JA.

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