Transição e Compromissos

Antonio Delfim Netto (*)

A volatilidade dos mercados no período que antecedeu o segundo turno das eleições foi impulsionada por três motivos: o primeiro e mais importante desses motivos foi a percepção da soma de dificuldades de ordem econômica que o atual governo transfere para o próximo. São problemas derivados dos erros de política econômica que conduziram o país a uma sufocante dependência dos mercados financeiros internacionais, obrigando o governo a contratar três empréstimos de emergência junto ao FMI no valor de 90 bilhões de dólares. O segundo motivo é de origem externa e deriva basicamente do fato que a economia americana continua flertando com a recessão, depois do ataque terrorista e do aparecimento das fraudes contábeis que abalaram o mercado de capitais. Isso criou um clima de insegurança para os investimentos, aumentando a aversão ao risco nas aplicações, tanto internamente nos EUA como em relação aos mercados dos países chamados de emergentes.

Um terceiro fator do aumento da volatilidade – o terrorismo político – foi “deletado” no dia 27 de outubro na urna eletrônica. Era um falso motivo e os eleitores simplesmente ignoraram a tentativa de constrangê-los com a alegoria da catástrofe. O próprio “mercado” uma semana antes já tinha se convencido da vitória do candidato da oposição e se manteve calmo. A “aposta” no desastre perdeu o sentido. Abandonada aquela motivação, restam os dois outros fatores que obviamente vão continuar influindo no comportamento dos agentes. Devido ao fato que chegamos ao final desse segundo mandato com a economia brasileira extremamente vulnerável no exterior, é fundamental prosseguir no esforço de ampliar as exportações e os saldos comerciais. Isso dará ao próximo governo algum tempo e melhores condições para realizar a tarefa de recuperar a credibilidade do país no exterior, como preliminar para a retomada do crescimento e a ampliação do emprego, que são duas propostas centrais da campanha eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva.

Conhecido o resultado, o presidente eleito reafirmou os compromissos da “Carta de Ribeirão Preto” que permitiram ao PT participar do processo político em sua plenitude, sem tergiversações quanto aos princípios da ordem econômica, jurídica e social consagrados na Constituição de 1988. Isso é importante porque facilita a compreensão interna e externa em relação ao nosso processo político e aos objetivos econômicos do próximo governo.

e-mail: dep.delfimnetto@camara.gov.br

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