Roberto Barbieri (*)
Conviver com uma taxa SELIC de 15% ou próximo deste número por muito tempo é um enorme desastre econômico para o país.
Mas não podemos perder de vista que esta taxa, além se um instrumento de controle, é também Consequência e não Causa do processo inflacionário, sendo apenas um instrumento ou remédio amargo que não precisaria ser tomado se não houvesse um governo fazendo uma expansão monetária desenfreada, “expansão” esta necessária diante do aumento constante do déficit público, com um descontrole governamental total no controle do equilíbrio das receitas x despesas, onde a única ação demonstrada de forma efetiva, é o aumento das receitas com uma carga tributária descomunal. Não se tem dúvidas técnicas que no Brasil atual esta seja a principal causa e grande causa inflacionária.
Estamos hoje diante de uma situação paradoxal, onde perdemos de vez as rédeas do processo inflacionário que esmaga o povo e empresariado que sustentam a economia com seu trabalho, pelas pressões externas tais com as guerras mundiais em andamento, que pressionam os custos para cima, inclusive do ainda carro chefe, o petróleo.
Neste quadro, tecnicamente a taxa da SELIC, infelizmente diante da inércia governamental, teria é que ter sido reajustada mais uma vez acima dos 15%. Menos mal é que ela foi mantida “estável” pelo menos, pois a passagem de 15,00% para 14,75% aa é um mero jogo político que não altera os negócios econômicos, apenas uma tentativa (inócua) de sinalização, senão vejamos:
A redução dos 0,25% corresponde a uma redução básica de 1,67% na taxa/ano. Na prática, em linguagem de financiamentos ou impactos nos empréstimos bancários, transformando o Ano em Mês, temos que as taxas mensais são: Selic 15,00% aa, corresponde a 1,17% am (ao mês). Já a Selic de 14,75% aa, correspondente a 1,15% am. Ou seja, uma diferença irrisória, imaterial, que não significa nada nos números de apenas 0,02% ao mês. Isto mesmo, só reforçando, não são 2% am e sim sua centésima parte 0,02% am.
O que se viu, foi que o Banco Central tentou segurar a onda e deu apenas um aceno para satisfazer a vontade política dos nossos “desgovernantes”. Se estivesse o Roberto Campos Neto ainda no Bacen, não se entraria nesta jogatina, presumo.
Enquanto continuarmos neste patamar, fica apenas neste jogo político e mais uma vez de enganação, demonstrando que quem governa o país não tem o menor controle da situação.
(*) É formado em Ciências Sociais e Administração de Empresas com ênfase empresarial nas áreas Financeiras e Recursos Humanos.
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