Jornal da OAB destaca superação de advogada (nome é omitido): um exemplo notável de luta
Nasceu na pequena Piracaia, no interior de São Paulo, numa família numerosa de comerciantes, descendentes de italianos e portugueses. Desde os 13 anos dizia que seria advogada. “Sempre que ficava sabendo de um julgamento no Fórum da cidade, eu queria conferir”. A jovem não podia prever o quão árduo seria seu caminho até a advocacia, menos ainda o quanto seria difícil permanecer na profissão. “Meu pai não acreditava que as mulheres de nossa família devessem estudar. Eu era contra esse pensamento”. Em 1960, ela adiou o sonho para casar-se e constituir família. Mudou-se para São Paulo onde criou os três filhos.
“Quando recebi um diagnóstico de câncer no colo do útero, em 1987, eu acreditava que me restava pouco tempo de vida e fui aconselhada pela médica a fazer o que tivesse vontade. Foi então que decidi entrar na faculdade”.
Aos 38 anos, saindo de árduo tratamento com quimioterapia e radioterapia e de cirurgia para retirada do útero, essa mulher especial ingressou no curso de Direito da Fundação Instituto de Ensino para Osasco. Pagou os estudos trabalhando como vendedora de jóias e formou-se em 1992. Realizou o Exame de Ordem, aprovada, alcançou seu objetivo. Àquela altura a vitória parecia completa, o câncer desapareceu com a retirada do útero.
“Logo que peguei minha Carteira da Ordem, montei meu escritório. Era uma sala, com mesa e máquina de escrever. Os meus primeiros clientes surgiram por indicação de colega com quem eu havia trabalhado como estagiária, durante o tempo de faculdade”.
Mais desafios
O destino lhe reservaria novos contratempos. Casamento em crise decidiu divorciar-se. Foi morar na Praia Grande, na Baixada Santista. “Como mantive meu escritório em São Paulo deixava a Baixada às 5h30 e só voltava às 22h30. Na capital, o dia era cheio, às vezes nem sobrava tempo para almoçar. Foram anos nessa rotina”. Foi nesse momento que novos tumores apareceram, dessa vez no pâncreas e na bexiga. Em 2011, ela teve uma diverticulite perfurada que quase a levou. Tudo no entanto foi sanado, à custa de nada menos que 15 cirurgias.
Persistente
Apesar de todos os problemas, não deixou de advogar até que, de repente, foi acometida de uma síndrome do pânico. Com pedido de auxílio ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) negado, pediu socorro à Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo.
Desde então, a ajuda da CAASP é indispensável em sua vida. Recebe auxílio mensal em dinheiro, cartão-alimentação, auxílio-medicamento e guias de atendimento na rede médica onde faz exames de rastreamento oncológico para detectar precocemente eventuais tumores. Ela conseguiu manter seus laços com o Direito. O médico psiquiatra, que há anos atende em consultório na sede da Caixa, foi um dos que a orientaram.
“Ao perceber minha agonia, o doutor sugeriu que eu ingressasse na Assistência Judiciária. Demorou até que eu concordasse com a ideia. Tinha medo”.
A advogada ainda sofre com surtos de pânico e, apesar de estar em tratamento não conseguiu voltar ao trabalho como em seus anos mais ativos. Atua na Assistência Judiciária, mas assume poucas causas.
“Quer me ver feliz? Me leve até ao Fórum”, conclui com muita fé.
Colégio Progresso canta Parabéns!
A diretora, professoras, coordenadora e colaboradoras administrativas, com energia de um bloco forte, abraçam as Mães de alunos e as de toda a região de Araraquara pelo "Dia Internacional da Mulher".
A Mulher, com o olhar, faz envolvente discurso que anima o mundo ao seu redor.