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Setor respeitado: Agora é a vez da produção

Antonio Delfim Netto (*)

No início de 2004 poucas pessoas acreditavam que a economia poderia voltar a crescer ainda este ano, principalmente com o vigor que demonstrou já no primeiro semestre. Até o Presidente Lula, com todo seu otimismo, parece estar surpreso com esses primeiros resultados de sua política econômica. De fato, antes de partir para a viagem ao Haiti ele recomendou à sua gente que fique vigilante e evite perturbar o bom momento por que passa a economia. A mensagem é dirigida ao próprio PT. Um significativo número de companheiros não demonstra a devida compreensão de como se realiza o desenvolvimento.

A oposição, por dever de ofício, tem que levantar dúvidas sobre a natureza do processo de crescimento. Precisa exigir do governo a “garantia” de que o desenvolvimento “é sustentável”… como se fosse possível emitir um tipo de apólice…; ela está no seu papel, quando usa a imagem caricata do “vôo da galinha” para lançar dúvidas sobre a realidade do crescimento da produção industrial, da mesma forma que antes insistia que as exportações não se sustentariam porque não havia investimento suficiente no setor… E assim por diante. Para quem passou dez anos no comando de uma economia estagnada, especializando-se em encontrar mil e uma razões pelas quais o Brasil não podia crescer, a simples ameaça de retomada do desenvolvimento torna a vida muito desagradável. Toda aquela discussão sobre as dificuldades do crescimento na verdade revelavam a descrença dos economistas tucanos na capacidade de produção dos brasileiros, dos trabalhadores (mal preparados), dos industriais (seres gananciosos que só sobrevivem com crédito fácil) e dos agricultores (bando de caloteiros que só pensa em subsídios).

O que aconteceu com o Brasil no governo Lula é que o setor produtivo voltou a ser respeitado: os empresários perceberam que a política econômica foi sendo direcionada para estimular a expansão do crédito ao agronegócio e à indústria, apesar dos custos elevados e da meia-trava do Banco Central. Aliviou um pouco a carga tributária, privilegiando o setor exportador e os investimentos em máquinas e equipamentos. O comércio exterior se beneficiou da taxa de câmbio no lugar certo. O governo mostrou que tinha condições de vencer as dificuldades que atrapalham o crescimento: com paciência e habilidade reconstruiu a crença dos empresários no desenvolvimento e na capacidade de sua política de superar o grande obstáculo da vulnerabilidade externa. Para surpresa geral, a armadilha externa está sendo cuidadosamente desmontada. Isso que parecia inatingível no curto prazo tornou-se uma realidade graças à resposta das exportações que permitiu a formação do grande saldo comercial. É este resultado que dá aos empresários uma perspectiva positiva para a retomada dos investimentos, já que os saldos do comércio exterior permitem assegurar que as importações poderão se realizar na medida necessária ao desenvolvimento, sem riscos de criar problemas na balança de pagamentos do país.

(*) E-mail: dep.delfimnetto@camara.gov.br

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