O papa classificou o segundo casamento como uma “chaga social”. A declaração polêmica despertou várias discussões em todo o mundo.
Assuntos relacionados ao segundo casamento dividem opiniões e têm afastado algumas pessoas da Igreja Católica Apostólica Romana. Muitos afirmam que a igreja deve mudar a frase “até que a morte os separe” para “até que a morte do amor os separe”.
No começo de março deste ano, o Papa Bento XVI que ora visita a terra brasileira condenou o segundo casamento e o definiu como uma chaga social. A declaração “conservadora” do líder religioso causou polêmica em todo o mundo. Famosos já aderiram a outras igrejas para receber a benção de Deus para novo casamento. Ana Maria Braga (Tv Globo) recentemente se casou pela terceira vez e foi abençoada pelo arcebispo primaz da Igreja Católica Apostólica Tradicional no Brasil.
Apesar disso, o padre Francisco Peixoto da igreja Santa Cruz de Araraquara afirma que só é permitido um segundo casamento quando um dos conjuges morre. “As pessoas que casam pela segunda vez não estão vivendo conforme os ensinamentos de Jesus e não podem se confessar e nem comungar”, afirma. “Mas a igreja insiste que eles venham à missa, participem, rezem e entreguem na mão de Deus a vida que eles estão levando”, fala.
O padre lembra que o casamento deve ser muito bem pensado, pois é indissolúvel. “Muitos querem a celebração na igreja não porque têm fé, mas, porque consideram bonito”, argumenta.
Para o caso de casamento forçado ou viciado por qualquer outro motivo relevante, o padre em questão explica que existe o Tribunal Eclesiástico, formado por padres especialistas no Direito da Igreja, que estuda o caso para ver se não houve falha quando foi realizado o matrimônio. “A pessoa tem que casar livre e espontaneamente ou pode declarar que não houve casamento”.
Morte do Amor
A Igreja Católica Apostólica Carismática acredita que o casamento é mantido pelo amor e que o fim desse sentimento é motivo para que o casal se separe. “Quando o amor morre não tem mais remédio. É melhor a separação em função da morte do amor do que ficar brigando como milhares e acabar matando um ao outro fisicamente, ou com ofensas, traições, agressões, etc.”, defende o padre Fernando Fraga, da Paróquia Bom Jesus dos Milagres, em Araraquara.
Padre Fernando diz que o casamento é indissolúvel enquanto o amor continua vivo. “Quando o amor morre é porque chegou a hora de cada um seguir seu destino e preservar alguns sentimentos que podem ainda ser cultivados como a amizade, o respeito, a fraternidade e outros”, afirma.
Fernando Fraga, que acaba de concluir o Curso de Ciências Jurídicas e Sociais (Uniara), acredita que é o casal deve decidir se dá ou não para continuar o casamento e acredita que não é justo que lideres religiosos façam essa decisão ou proíbam de se comungar. “Se o criador respeita sua liberdade de escolha, ninguém, ninguém por causa de dogmas, complexos, preconceitos ou outros interesses escusos, pode proibi-los de separar, casar de novo e reencontrar Deus, isto é, o amor”, finaliza.
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