Maria Ursulina Ramalho (*)
O tempo na Terra, curto ou longo é o que temos para registrar nossa história projetando-a para o futuro e tornando-a passado.
Nós somos, ao mesmo tempo, presente, passado e futuro.
Aqueles que já se foram e outros que ainda convivem conosco nos encaminham para a sabedoria e assim fazem sua história e a da humanidade.
Através da criação literária, o indivíduo não estando mais aqui, faz continuar seu pensamento. Este momento de continuação denomina-se Educação, em que a consciência crítica se destaca e o esclarecimento é produto da razão.
Um brilhante homem que sempre lutou pela liberdade sem medo chamava-se Jean Paul Sartre. Nasceu em 1905 e morreu em 1980.
Sua principal preocupação, como filósofo existencialista, era com o ser, e não o ter. Viveu intensamente sua ideologia, seu pensamento está vivo e real em suas obras. Foi o maior pensador do século XX.
Em suas obras, uma delas "As Palavras" registrou sua experiência na infância e seu contato diário com as palavras escritas. Para ele, o ato de ler transforma o indivíduo. A complexidade de sua linguagem origina-se nos livros, pois já estava alfabetizado aos quatro anos de idade.
Sartre viveu muitos anos com seu avô. Homem culto que acompanhava o desenvolvimento intelectual de seu neto assim como sua mãe.
No livro "As Palavras", ele deixou mensagens que servem de orientação às gerações presentes e futuras.
São seus pensamentos: o mundo me utilizava para fazer-se palavras;
Aprendi a ler sozinho e escrevia romanos;
Dependia só de mim;
Os livros foram meus passarinhos e meus ninhos, meus animais domésticos, meu campo, biblioteca, era o mundo colhido no espelho;
Nos livros encontrei o universo (idealismo);
Sozinho no meio dos adultos eu era um adulto em miniatura, fazia leituras adultas e eu era criança;
A infância burguesa vive na eternidade do instante, na inação;
Escrevendo eu existia, escapava dos adultos, eu só existia para escrever;
Nasci da escrita, eu existo escrevendo;
Eu não era senão minha liberdade, erguida por mim, diante de mim.
Todo mundo pode escrever.
(*) É Escritora e Pedagoga