Perdendo Posições

Antonio Delfim Netto (*)

O comportamento da economia mundial não tem sido nada brilhante em 2002, frustrando um pouco as expectativas de recuperação das crises do ano passado que certamente ficará marcado como um dos “annus horribilis” deste novo século. Dos países desenvolvidos, apenas os Estados Unidos devem terminar com um crescimento do PIB acima de 2% (2,4%), depois de registrar somente 0,3 % de expansão em 2001. Na Ásia, o Japão está com crescimento negativo (este ano -1.0% do PIB depois de amargar um -0.3% em 2001), enquanto a Eurolândia reduziu sua expectativa de crescimento em 2002 para algo em torno de 1% do PIB. Mas, descontado o Japão, os demais países asiáticos tem uma boa performance, com o PIB crescendo acima de 5% este ano, depois de ter crescido 3,7% em 2001.

O Brasil, infelizmente, continua sua marcha lenta, chegando ao final do ano com o PIB crescendo 1%. Terminara o ano passado um pouquinho melhor, com uma expansão de 1,5% no Produto. Em termos de crescimento da renda per capita dos brasileiros, é “marcha a ré”, tanto em 2001 como em 2002, dado que a taxa de aumento da população é superior (1,6% ao ano). E perdemos para os demais países de economia chamada “emergente” cujo PIB deve crescer 2,5% este ano, resultado influenciado inclusive pela baixa performance brasileira que tem um peso considerável nesse conjunto.

Não há dúvida que a situação externa não favorece a expansão econômica da forma como ajudava na década dos 90, quando o Brasil não soube se situar e perdeu seguidamente posições para seus competidores no mundo emergente. Viramos o século e nesses dois primeiros anos nosso Produto cresceu praticamente a metade do crescimento do PIB dos demais emergentes, o que significa que continuamos a ceder posições dentro desse mundo.

O que se ouve muitas vezes das vozes oficiais e de uma certa imprensa engajada é que esses retrocessos se devem ao “grande sucesso do combate à inflação” do plano Real. É a outra face do argumento canhestro daqueles que acreditam que “mais inflação promove o crescimento”. Não há verdade em nenhum dos dois: nos 12 meses terminados em junho de 2002, a inflação média nos países desenvolvidos foi da ordem 1,1% e nos países “emergentes” chegou a 7%. Nesse mesmo período a inflação brasileira foi de 7.8%, ligeiramente superior à de seus parceiros e muito superior à dos desenvolvidos. Em síntese, nos últimos dois anos nossa economia cresceu a metade do que cresceu a dos nossos competidores e tivemos uma inflação maior do que a deles.

É preciso assumir o fato que, apesar dos efeitos das dificuldades mundiais, nossos problemas são derivados da qualidade da política econômica posta em prática nesses últimos oito anos, que acumulou uma enorme herança de baixo crescimento, alto desemprego e enorme dependência externa.

(*) E-mail: dep.delfimnetto@camara.gov.br

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