O Parlamento ucraniano aprovou nesta quarta-feira o voto de não-confiança contra o governo do primeiro-ministro Viktor Yanukovich, 54, eleito presidente na eleição realizada em 21 de novembro. Ele poderá ser demitido do cargo.
Se o presidente ucraniano, Leonid Kuchma, seguir o Parlamento, ele terá que demitir Yanukovich e apontar um novo primeiro-ministro que assumirá o cargo interinamente.
Pouco antes, Kuchma havia declarado formalmente o seu apoio à realização de novas eleições presidenciais desde o começo –e não apenas uma repetição do segundo turno. Segundo analistas, o líder do Parlamento ucraniano, Volodymyr Lytvyn, poderá ser escolhido para o cargo.
Acusações de fraudes nas eleições, que teriam prejudicado o líder da oposição, Viktor Yushchenko, 50, deflagraram uma crise no país e levam milhares de ucranianos às ruas de Kiev, capital ucraniana, diariamente.
A Ucrânia está parada há dez dias. No leste, autoridades da região de Donetsk, anunciaram que o referendo para decidir sobre a autonomia da região será votado em 9 de janeiro. O movimento vai transformar a Ucrânia em uma federação.
Maioria
O voto de não-confiança foi aprovado por 229 parlamentares, três a mais do que necessário para que a moção de censura fosse levada adiante. A primeira tentativa de votação foi realizada ontem, mas o número de políticos a favor era inferior ao mínimo necessário.
A sessão ontem acabou sendo interrompida, depois que manifestantes invadiram o prédio do Parlamento.
Membros da oposição, liderada por Yushchenko, foram os primeiros a propor a realização de um segundo turno para resolver a questão da suposta fraude na votação presidencial do 21 de novembro.
Nem a União Européia (UE) nem os Estados Unidos reconheceram o resultado da votação. Observadores internacionais reportaram, nos dias seguintes à votação, a existência de fraudes no processo, principalmente nas regiões no leste do país, onde estão Donetsk e Luhansk.
Ajuda internacional
O presidente da Polônia, Aleksander Kwasniewski, viajou nesta quarta-feira de Varsóvia [capital polonesa] para Kiev, para tentar mediar a crise provocada pela eleição.
Kwasniewski declarou na noite de ontem que é favorável à organização, no prazo mais curto possível, de um novo segundo turno presidencial na Ucrânia, se a Suprema Corte considerar fraudulento o resultado do pleito.
Além do presidente polonês, o comissário de política externa da UE, Javier Solana, o presidente lituano, Valdas Adamkus, e o presidente da Duma [Câmara dos Deputados] russa, Boris Gryzlov, estão reunidos em Kiev com Yanukovich, Yuschenko e com o presidente Kuchma.
Kwasniewski está acompanhado do ministro das Relações Exteriores Wlodzimierz Cimoszewicz que viaja a Kiev na qualidade de representante especial do Conselho da Europa.
Decisão
Juízes da Suprema Corte ucraniana voltaram a se reunir nesta quarta-feira para continuar a examinar a demanda da oposição, que questiona o resultado da eleição realizada em 21 de novembro.
O pedido de anulação é encabeçado por Yushchenko. Na semana passada, o Parlamento ucraniano considerou inválida a eleição, mas é necessário o veredicto da Suprema Corte da Ucrânia.
A lei ucraniana diz que a corte não pode decidir sobre todo o resultado da eleição, mas pode declarar a votação inválida em alguns distritos. O principal foco da oposição são as regiões ao sul e ao leste, que apóiam Yanukovich e onde há graves suspeitas de fraudes.
Com agências internacionais