O som que sempre nos acompanha

Sandra Caucabene Sicchiroli é responsável pela disciplina Fonoplastia, no curso de Radialista – Locução, do Senac de Araraquara, e supervisora do estágio de Fonoaudiologia Educacional do curso de Fonoaudiologia da Uniara.

Atua como fonoaudióloga clínica e educacional, tendo, inclusive ministrado cursos a berçaristas e professoras sobre desenvolvimento normal de linguagem.

Indicada por Sarah Coelho Silva, Sandra é o destaque da edição.

JA – O que é a fonoplastia?

SCS – Em fonoaudiologia, é um termo meio “inovador”. Seria a “plástica da voz”.

JA – Qual o objetivo da fonoplastia?

SCS – As aulas de fonoplastia, no curso do Senac, existem para esclarecer dúvidas e orientar quanto ao bom uso da voz, assim como dar maior conhecimento sobre o funcionamento do aparelho fonador, e tudo aquilo que possa vir a agredí-lo na sua função.

JA – O que é ter uma boa voz?

SCS – Ter uma boa voz significa saber usá-la em todas as suas qualidades, mantê-la em bom funcionamento, sem maus usos ou abusos vocais.

JA – Quais os abusos mais nocivos às cordas vocais?

SCS – Existem vários, mas os piores seriam fumo, álcool, drogas e poluição; tossir, gritar muito ou pigarrear; falar em locais barulhentos (competição vocal); choques térmicos; ambientes com muito pó, mofo, cheiros fortes, etc.

JA – As pessoas têm pouco conhecimento sobre como surge a voz?

SCS – Sim, geralmente as pessoas desconhecem o funcionamento do aparelho fonador e por isso acabam abusando e agredindo as pregas vocais. Quando uma pessoa usa sua voz para falar ou cantar, o ar que sai dos seus pulmões faz vibrar as pregas vocais, produzindo a voz. Abusos excessivos da voz podem levar à formação de “calos vocais”, produzindo a rouquidão persistente.

JA – Qualquer rouquidão é sinal de perigo?

SCS – Não, rouquidão provocada por gripe, resfriado ou abuso ocasional da voz, pode ser tratada por médico e passa logo. No entanto, se a rouquidão durar mais de 15 dias ou não tiver uma causa evidente, deve ser avaliada e tratada por especialistas: otorrinolaringologista e fonoaudiólogo.

JA – Além de orientar, o fonoaudiólogo acaba conquistando seu paciente, dando segurança no uso adequado da voz?

SCS – Sim. Através de suas terapias, fornece meios para que o paciente vá melhorando, o que faz com que ele se sinta bem e mais seguro profissionalmente. Isso acaba criando um elo gostoso de amizade entre o paciente e o profissional.

JA – Como a voz sofre alterações?

SCS – A voz tem características próprias que a tornam única, como uma impressão digital. Quando criança, existe pouca diferença de voz entre os sexos. Na idade adulta, as diferenças são bem visíveis. Com o passar do tempo, na velhice, a voz também vai ficando senil, e, novamente, a voz do homem e da mulher ficam com as características bem próximas.

JA – De que maneira podemos ajudá-la no dia-a-dia?

SCS – Água gelada, ar condicionado, clima muito quente são agressões que a gente acaba tendo que conviver no dia-a-dia. Se elas puderem ser evitadas ou contornadas, melhor. A nossa voz agradece.

JA – O relaxamento físico é importante para um profissional que precisa da voz?

SCS – O relaxamento físico e o mental são importantes para qualquer pessoa, principalmente para o profissional da voz – locutores, professores, advogados, padres -, pois ajudam a manter o corpo e seu instrumento de trabalho (a voz) em boas condições.

JA – Cite algumas possíveis realizações dessa profissão.

SCS – É saber que você pode ajudar um ser humano a vencer uma dificuldade. É muito gratificante ensinar uma criança excepcional se fazer entender, um deficiente auditivo aprender a se comunicar, uma professora a vencer a rouquidão, uma criança a falar ou escrever melhor. Essas são algumas realizações que consigo com a minha profissão.

JA – E o perfil de um bom profissional?

SCS – Aquele que gosta do que faz, que se mantém atualizado, não pára no tempo ou se esconde atrás de um título, que realmente consegue realizar aquilo a que se propõem de uma maneira agradável e efetiva.

JA – Uma carreira de futuro?

SCS – Aquela que for realmente a vocação da pessoa. Ninguém consegue ser um bom profissional na carreira errada.

JA – Quem lhe é exemplo de pessoa criativa?

SCS – Tive vários durante a minha vida. Professores da época da faculdade (aqueles que você guarda o nome, o rosto, a maneira de ser), pessoas amigas, colegas, meus pais.

JA – O que faz nos momentos de lazer?

SCS – Como passo muito tempo fora de casa, por causa do trabalho, adoro quando posso ficar com minhas filhas e meu marido em casa. Também gosto muito de viajar e de ir ao cinema.

JA – Uma mensagem

SCS – Como estamos falando de voz, vou colocar como mensagem final uma advertência que foi usada na Campanha Nacional da Voz – 2001, por achá-la importante e necessária. Não quero passar a idéia de uma pessoa pessimista, ao contrário, quero encarar um problema sério com otimismo, demonstrando que até “aquilo” que pode ser considerado como “o fim” tem jeito.

“Rouquidão persistente, pigarro, dor ou ardência na garganta, dificuldade ao engolir: talvez você não saiba, mas todos estes podem ser sintomas de doenças nas cordas vocais, corriqueiras ou sérias. Um perigo real, já que no Brasil mais de 4 mil pessoas morrem todo ano vítimas do câncer da laringe. No entanto, apesar de séria, está é uma doença perfeitamente tratável se for descoberta em sua fase inicial. Por isso, não perca tempo. Faça uma consulta e garanta a sua saúde. Afinal, VOZ É VIDA.

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