Texto: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves
A cada episódio revelado de corrupção e impunidade, a política brasileira vai se tornando mais volátil. O momento crítico é inegável, com expressiva parte do Congresso sob suspeição, o presidente da República em alto grau de impopularidade, fustigado por denúncias e sob investigação, e a sociedade atônita com tanta noticia ruim. Michel Temer é obrigado, hoje, a empregar grande parte do seu tempo para se manter no poder e vê a possibilidade de periclitar seu principal e derradeiro capital político: a maioria parlamentar. Dificilmente os indicadores econômicos, que começaram a reagir positivamente no seu governo, continuarão em alta num clima de tanta instabilidade.
A sociedade está prenhe de informações sobre os malfeitos apurados no Mensalão, Lava Jato e outras investigações. Um novo "acordão" é algo impensável num momento em que o povo está excitado e a maior parte das lideranças é alvo de questionamentos.
Agora, a França tem uma nova lição. Depois da derrocada do governo de esquerda, o povo francês elegeu um presidente jovem e pertencente a um partido novo, fundado há apenas um ano que também fez a maioria das cadeiras do parlamento. Se a França pode, por que o Brasil não poderá começar tudo de novo? Com novos políticos, novos partidos e novas lideranças, em vez do caos que nos ameaça poderemos ter o sonhado novo país, livre da corrupção e da desigualdade social.
(*) Dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo – aspomilpm@terra.com.br)