JR Ferraz (*)
"Homem, excita o cérebro!
Que diz a profunda meia-noite?
Tenho dormido, tenho dormido!
De um profundo sono despertei:
O mundo é profundo, mais profundo do que o dia pensava.
Profunda é a sua dor e a alegria mais profunda que o sofrimento!
A dor diz: Passa!
Mas toda a alegria quer eternidade, quer profunda eternidade!"
(Nietzsche, filósofo alemão do século XIX).
O equilíbrio pode ser definido como o estado de um corpo em que as forças sobre ele aplicadas contrabalançam mutuamente os seus efeitos, o que insta a conjecturar acerca de dois grandes sentimentos que jazem em cada ser: o sofrimento e a alegria.
A indagação fundamental é: qual a fonte do sofrimento? Ora, tão simples como atestar, segundo a lógica aristotélica, que A é A, sendo impossível A ser A e não A ao mesmo tempo, penso que o pesar nasce tão somente do desejo, do querer. A não satisfação do desejo é um sofrer; o querer não concretizado é a dor humana em si. Desse pressuposto resulta que a alegria desabrocha quando há a realização dos nossos anseios. O problema é que nenhuma satisfação é permanente; aliás, ela logo se torna o ponto de partida de um novo querer.
Essa linha de pensamento leva a crer, então, que a única forma de controlar o sofrimento se consubstancia pela concretização do ascetismo, que é a prática de abstenção de prazeres visando à elevação da alma. Contudo, tal estilo de vida só é plenamente atingível através do isolamento, o que vai contra a essência do ser humano um ser gregário por natureza que jamais alcança a liberdade, como bem ensina Goethe (filósofo alemão do século XIIX) ao dizer que "ninguém é mais irremediavelmente escravizado do que aqueles que falsamente acreditam que são livres".
Ante tais colocações, surge a grande questão: o que fazer para ser feliz? Expresso a minha opinião. Devemos evitar a busca da felicidade a qualquer custo, pois tal ação é um sofrimento em si. Devemos aceitar que há forças que regem a natureza e são maiores do que nós, simples indivíduos, e, portanto, não podemos mudar o curso da vida. Podemos, porém, viver uma vida frugal, estabelecendo objetivos acessíveis e dignos, criando e planejando caminhos que, mesmo que longos, são atingíveis. ~Devemos valorizar as coisas simples e essenciais em detrimento de excessos e luxos.
Ainda que o equilíbrio seja algo inatingível quando se trata de sentimentos, essa constatação não afasta a beleza da vida, pois, como diz Nietzsche: "A alegria é mais profunda que o sofrimento!" E sua intensidade, por vezes, transcende o tempo, a razão e a lógica.
(*) JR Ferraz é aluno do Curso de Direito da Uniara.