O C arrinho do Supermercado

No final de semana que passou, conforme os jornais noticiaram, minha turma de Faculdade de Direito foi recepcionada lá na UNIARA em comemoração aos nossos 5 anos de formatura. Somos a Turma 1996, da qual fazem parte comigo o Rodrigo Zenatti, o Alexandre Borsari, a Bianca Monteiro, a Cássia Saab, a Cilene Fabíola, a Luciana Azzoni, o Lauro Divardin, o Carlos Galvão, a Sílvia La Laina, a Carla Amantéa Hallgren, a Daniela Laroca, o Walter Malavolta, o Flávio Bochio, o Zé Maria Mangini, o Wader Rigonatto, o Fernando Emanuel, a Tânia Jardim, a Roseli Molina, o Alexandre Geraldo, o Ricardo Bertelli, o Miguel, a Solange, Marco Antonio e a Andréa de Matão, o Sílvio Maciel, o José Carlos Giazzi e o Claudionor que está advogando lá em Rondônia, na cidade de Ji-Paraná. Há muitos mais na turma, um total de 110 advogados.

No encontro, a gente ficou lembrando dos tempos de estudantes e, perante os colegas, lembrei-me de um episódio engraçado que me ocorreu em 1993, quando estava no primeiro ano de Direito. O ano foi duríssimo prá mim, com matérias totalmente novas e completamente diferentes das de Medicina. Nas provas de setembro, fechei os pontos necessários que me deram dispensa das provas de novembro, mas eu estava exausto porque estudei bastante, não faltei às aulas noturnas nenhum dia, apesar de estar atendendo no consultório e fazendo minhas cirurgias plásticas.

Na ocasião, falei pro meu amigo Samuel do meu cansaço, o mesmo Samuel que me viria a surrupiar minha Bíblia americana anos depois. Ele me disse: "Guará, vai passar uns dias nas Termas de Ibirá que você melhorará de tudo…" "Se você está com fadiga, dificuldade para dormir, perda do apetite, nervos à flor da pele, dores nas costas, fraqueza sexual, má digestão, tudo isto se resolverá indo prá lá…" Eu respondi prá ele que não tinha nada desses sintomas, que só precisava descansar um pouco. Ele me retrucou prá deixar de ser enganador e que iria fazer reserva prá mim.

Dois dias depois, recebi um telefonema do gerente de um hotel de lá, dizendo que meu amigo Samuel da Farmácia me havia feito reserva do "PACOTE DE FINADOS". Fiquei puto da vida com o nome do pacote, mas o homem me tranqüilizou dizendo que minha estada lá começaria na sexta-feira dia 29 de outubro e terminaria na terça-feira dia 2 de novembro, tudo por 400 reais o casal, com 3 refeições por dia e dois ingressos para os famosos banhos. Fiquei tentando imaginar qual seria a comissão do Samuel, mas fui mesmo assim.

Sabem por que estou contando isto hoje? Aconteceu que hoje é segunda-feira dia 10 de dezembro e fui ao supermercado. Eu estava distraído olhando as prateleiras, quando percebi que uma senhora me havia barrado, segurando a beirada de meu carrinho. Dizendo ser minha leitora assídua, ela começou a me fazer gostosos elogios sobre minhas crônicas. Claro que gostei!

Ela falou, falou e finalmente me perguntou: "Doutor Guaracy, esse tal Samuel que ficou com sua Bíblia, alguma vez na vida ele já lhe fez alguma coisa boa ?" Eu respondi: "Claro que sim!" Aí ela me disse: "Não me conte não, escreva no jornal, porque a barra dele está suja na cidade por causa dessa Bíblia e das perguntas que ele não conseguiu responder…"

Pois bem, na sexta-feira dia 29 de outubro de 1993, na boca da noite, dei entrada no hotel de Termas de Ibirá, eu e a Cilene minha esposa. Antes de subir pro apartamento, perguntei pro recepcionista se ele conhecia o Samuel da farmácia de Araraquara. Ele me respondeu prontamente: "Craro que conheço, ele vem aqui com Dona Terezinha três quatro veis por ano!"

Senti firmeza com essa informação, já crente que me recuperaria de todo o meu cansaço de quase um ano de estudos árduos. Perguntei pro homem: "O Samuel me disse que o lugar aqui é bom prá saúde." Ele logo me respondeu: "Nossazágua, seu dotor, elas conserta os corpo todo e as cabeça."

Ao clarear o dia, tomei o café da manhã e corri pro balneário. Na entrada, havia um enorme bebedor jorrando água em quatro bicas, prá gente saborear à vontade. Em cada uma delas, havia um pequeno cartaz indicando a qualidade da água que jorrava: "água bicarbonatada afrodisíaca", "água sulfurosa afrodisíaca", "água alcalina afrodisíaca" e "água vanádica afrodisíaca". Quatro águas com os poderes mágicos da deusa do amor Afrodite! Estava descoberto o segredo do Samuel. Peguei um copo e dei três voltas no bebedor, bebendo das quatro águas…

Alí por perto, estava um cavalheiro da minha faixa de idade. Ele me viu atacar vorazmente aquelas águas do amor e se aproximou dando a maior gargalhada; pediu licença e me contou a experiência que ele havia tido em Serra Negra.

Disse-me ele que, tendo casado de novo, viajou prá lá e começou a percorrer as inúmeras fontes de águas medicinais, onde os letreiros anunciavam água prá pele, água pro estômago, água prá vesícula, água pro intestino, água pros nervos, água pro fígado, até água diurética e água depurativa para o sangue. Aí ele falou baixinho prá mim: "Não achei nenhuma fiadaputa de água prá minha mulher ficar contente…"

"No dia seguinte, disse-me ele, aluguei um cavalo e fui trotar numa estradinha que tem lá." "Meu caro, achei uma fontezinha escondida num caramanchãozinho onde havia uma pequena cachoeira." "Havia um cartaz pequenininho indicando o poder afrodisíaco da bandida da água."

Aí ele falou mais baixinho prá mim: "Ói, meu caro, só que eu não fiz essa besteira que você fez, bebendo água feito um doido, eu somente se lavei com aquela aguazinha santa…"

Dessa forma, graças indiretamente ao Samuel, eu aprendi mais uma. Sendo assim, se por acaso ele nunca mais de devolver a Bíblia, estarei propenso a perdoá-lo, apenas propenso…

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