Fim do exílio
Texto: Cintia Lopes/PopTevê
Fernanda Paes Leme não vê a hora de voltar a rotina normal das gravações de “América”. Depois de passar quase três meses perambulando pela fronteira do México e Estados Unidos, a sofrida Rosário, personagem de Fernanda, está aos poucos encontrando uma luz no fim do túnel. A expectativa para que a mexicana consiga finalmente atravessar a fronteira é grande. “Todo mundo me pergunta nas ruas quando a Rosário vai aparecer. Ela já sofreu muito e acredito que em breve estará junto da família”, arrisca a atriz. Fernanda foi escolhida através de testes pelo então diretor da novela, Jayme Monjardim, e jura que o sumiço da personagem nada teve a ver com as mudanças na direção da novela. “Ela não atravessaria logo, justamente para mostrar ao público que as famílias se separam nesta hora e que a coisa não é tão fácil assim”, argumenta.
Mesmo ausente por um grande período, a atriz garante que não se preocupou com o rumo da personagem. “Estava ciente de tudo. Confio muito na Glória. Sei que a volta da Rosário será algo especial na trama”, torce. E o tão aguardado momento está prestes a acontecer. Os próximos capítulos de “américa” mostram a saga de Rosário para ser a mais nova clandestina em Miami. “Acho que já está bom de sofrimento. A coitada passou muito tempo chorando e vagando sem rumo. Já nem tenho mais lágrimas”, diz bem-humorada.
Exatamente por ser risonha e extrovertida, a atriz conta que precisa de muita concentração para enfrentar o vale de lágrimas de Rosário. “É muito mais difícil fazer emocionar. Principalmente quando se faz um papel dramático pela primeira vez”, justifica. Para compor a personagem, Fernanda teve aulas sobre a cultura mexicana, participou de “workshops” na Globo e assistiu ao filme “A Fronteira”, de Roberto Carminati, que conta a história de duas famílias brasileiras que tentam chegar aos Estados Unidos atravessando o deserto. “É um perigo constante. Mesmo assim, as pessoas arriscam a vida em busca de um sonho”, avalia.
A empolgação de Fernanda ainda é maior por ser sua estréia no horário nobre. Depois de quatro anos como a afetada Paty do seriado “Sandy e Junior”, a atriz interpretou uma mãe solteira em “Agora é Que São Elas”, exibida em 2003, e a lutadora Nieta em “Da Cor do Pecado”. No ano seguinte foi a vez da provocante Elisa da minissérie “Um Só Coração”, de 2004. Foi protagonizando cenas calientes com o veterano Herson Capri que a atriz surpreendeu. “Foi uma experiência maravilhosa. Deixei de ser a menininha para viver uma mulher. Mas confesso que fiquei com medo de ser taxada de vagabinha”, conta a atriz de 22 anos.
Apesar da brusca mudança de perfil, Fernanda até hoje é lembrada pelo trabalho no seriado “Sandy e Junior”. “Mesmo depois de dois anos do fim do seriado, as pessoas ainda falam sobre isso. É incrível”, surpreende-se. Agora o público só quer saber quando a atriz volta definitivamente para “América”. “As pessoas brincam dizendo que vão avisar a minha mãe para não se preocupar porque já me encontraram. Fico feliz por ter conseguido essa reação”, diz, aos risos.
Por isso mesmo, a atriz só pensa em se firmar com personagens mais maduros. “A medida que nós vamos envelhecendo, os papéis precisam acompanhar essa trajetória”, avalia. Fernanda, entretanto, torce para que Rosário atravesse a fronteira e seja feliz. Se pudesse traçar o destino da personagem, a atriz garante que a história seria no mínimo bem diferente da idealizada pela autora Glória Perez. “Ela finalmente chegaria aos Estados Unidos sem a ajuda da mãe, seria uma garota revoltada e viraria o desgosto da família”, planeja.