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Impulsionada pelas tarifas públicas, a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) manteve a trajetória de alta e atingiu 0,91% em julho, maior taxa desde abril do ano passado. Em junho, o IPCA havia sido de 0,71%. Os dados foram divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
A gerente do sistema de índice de preços do IBGE, Eulina Nunes da Silva, ressalta que a alta da inflação em julho é pontual e reflete principalmente o reajuste de energia elétrica e telefonia fixa.
De acordo com ela, se não fosse por esses dois itens, a inflação do mês passado teria recuado para 0,58%.
Pressionada pelos reajustes em São Paulo e Curitiba, a energia elétrica subiu 3,67%. Somente em São Paulo, o IPCA captou aumento de 10,87% na conta de luz.
Os serviços de telefonia fixa subiram 4,88%, devido aos reajustes contratuais em todo o país.
Combustíveis e alimentos, embora tenham apontado alta, desaceleraram em relação a junho. Os alimentos passaram de uma alta de 0,72% para 0,67% entre junho e julho. A gasolina diminuiu o ritmo de aumento de 3,52% para 2,46% no período.
Em agosto, Eulina avalia que os impactos dos reajustes de telefonia e luz serão menores.
Já a gasolina pode voltar a subir um pouco em razão do aumento de aproximadamente 12% no álcool anunciado pelos usineiros.
Das 11 regiões metropolitanas que fazem parte da pesquisa, o maior índice em julho foi verificado em São Paulo (+1,19%). Já a menor variação ocorreu em Belém (+0,24%), onde os alimentos apresentaram queda de 1,07%. No Rio de Janeiro, a variação foi de 0,94%.
O levantamento do IBGE é realizado em São Paulo, Salvador, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife, Brasília, Goiânia, Fortaleza e Belém.
O índice se refere a preços de produtos e serviços consumidos por família com rendimento de um a 40 salários mínimos. O IPCA é utilizado pelo governo como parâmetro para as metas de inflação.
Ano
O IPCA acumulou alta de 4,42% nos sete primeiros meses deste ano. A meta de inflação para 2004 foi fixada pelo governo em 5,5%. No entanto, como a meta tem uma margem de erro de 2,5 pontos para cima ou para baixo, a inflação pode chegar a até 8% sem comprometer a credibilidade do Banco Central –responsável por mexer na taxa básica de juros para atingir as metas.
Segundo pesquisa do BC, o mercado acredita que o IPCA acumulado neste ano atinja 7,20%.