Grupo tradicional da Vila tem nova diretora

Lúcia Severina Bueno de Moraes Azzém, há 30 anos como docente, em direção de Escola e Supervisão da Diretoria de Ensino de Araraquara amealha experiência notável que converge ao dia-a-dia da tradicional escola da Vila. Durante 12 anos atuou na cidade de São Paulo, nas redes particular, municipal e estadual.

Sarah Coelho que indica a Professora Lúcia como destaque da Página Gente, faz questão de cumprimentar todas as mestras e, por conseguinte, as crianças que, festivamente, comemoram o seu dia neste domingo.

Como foi o início de sua carreira como Educadora?

Lúcia, em 1973, começou sua arte no Colégio Duque de Caxias, lecionando no Curso de Contabilidade e, em 1974, no município de Santa Ernestina, em escola pública estadual, viajando de trem com bancos de madeira, às segundas-feiras de manhã e, às sextas-feiras à noite, ia de carona até Taquaritinga, de onde saía o ônibus de volta para Araraquara.

Uma vida bonita, cheia de bons exemplos. Confira:

JA- Fale de sua vida acadêmica e profissional.

LSBMS- Sempre estudei em escola pública, até a conclusão do curso de Letras na F.F.C.L. de Araraquara, atual UNESP. Faço parte da última turma (1972) a cursar no centro da cidade, onde se encontra, hoje, a Casa da Cultura. Meus pais possuíam pouca escolaridade, mas o legado que me deixaram, o da responsabilidade, compromisso, respeito à minha pessoa, à profissão e ao outro, é o que deixarei como patrimônio ao meu filho. Nunca parei de estudar. Trabalhar com Educação exige que todos os dias esteja em contato com o que acontece ao meu redor e no mundo. A mídia faz com que os acontecimentos estejam muito próximos, tomamos conhecimento dos fatos em tempo real. Estudar é uma tarefa que deve ser exercitada todos os dias, durante toda a vida.

Hoje é a diretora da EE “Antonio Lourenço Corrêa”. O que representa essa investitura?

É a continuação de minha trajetória profissional. Segundo Tiago de Mello, “não tenho caminho novo. O que tenho de novo é o jeito de caminhar.”

Como é a Escola onde você atua?

A EE ” Antonio Lourenço Corrêa” situa-se na Vila Xavier, uma das mais antigas da cidade, fundada em 1935; é uma construção antiga, rodeada por praça bastante arborizada. Possui quadra esportiva, pátio coberto, área de recreação; as janelas são amplas, o que colabora com a ventilação e iluminação adequadas; as salas de aula são espaçosas e a Biblioteca está em plena atividade com a colaboração de mães voluntárias. A atuação dos pais junto à APM (Associação de Pais e Mestres) e Conselho de Escola, o trabalho das mães no horário de recreio e na Biblioteca são exemplos de interação, atenção, solidariedade e de transformação no interior da escola.

Entre o que a escola oferece aos alunos, o esporte é incentivado?

A partir deste ano letivo, as escolas de 1ª a 4ª séries (Ciclo I) oferecem aulas de Educação Física no período de aula e nesta, em especial, em horário diverso, há alguns anos, turmas de Treinamento de Basquete, em parceria com a Uniara/Fundesport, com atletas adotados pela Uniara.

O que mais a escola oferece?

No Ciclo I, o aluno da escola pública passou a ser contemplado, também, com aulas de Educação Artística, no horário de aula, desenvolvidas com professores habilitados nas modalidades música, teatro, pintura.

Como está o aluno, houve mudanças em relação ao comportamento?

Mudanças fazem parte da natureza humana; havia alunos contestadores até mesmo quando eu era estudante, na infância, na adolescência, na vida adulta e, com certeza, tiveram sucesso na vida pessoal e profissional. Hoje, sabendo usufruir, os espaços da vida das pessoas se transformam em educativos, portanto a escola não é o único lugar para educar, para exercer a cidadania; em todos os espaços, as pessoas devem se educar, têm que aproveitar todas as oportunidades que se lhes apresentam. Se as aulas não atendem às necessidades dos alunos, eles não se interessarão; o Ensino deve contribuir para que eles desenvolvam seus potenciais, o crescimento pessoal, social, cognitivo e produtivo. Nós ainda estamos aprendendo a trabalhar com algumas situações, muitas se apresentam como novas em nosso cotidiano escolar. As mudanças acontecem muito rapidamente, nunca houve, na História da Humanidade, tamanha carga de informações, em tão pouco tempo. A família, a escola, a sociedade, juntas, têm o dever de oferecer educação de qualidade. Ser pobre não significa não ter educação.

O Programa “Escola da Família – Espaço de Paz”, como está sendo desenvolvido?

Esse Programa é uma parceria com UNESCO, em cooperação técnica, Instituto Ayrton Senna e Instituições de Nível Superior, com o Convênio Bolsa – Universidade. Tem como objetivo transformar a escola, nos finais de semana, em espaço de convivência familiar e comunitária, oferecendo oportunidade de lazer, prática de cidadania com o intuito de reverter o quadro de violência que atinge muitos jovens.

Quem está envolvido nesse programa?

O Educador Profissional escolhido pelo Conselho de Escola, o Educador Universitário que é o estudante que presta serviço através do Convênio Bolsa – Universidade e o Educador Voluntário que assume compromisso firmado com o Programa através de Termo de Adesão ao Serviço Voluntário.

Como está a participação dos pais e alunos?

O trabalho das pessoas envolvidas, muitas voluntárias, está sendo produtivo e gratificante; os pais, mais tranqüilos, cientes de que os filhos estão se ocupando, seguros, participando de torneios esportivos, oficinas de poesias, confecção de trabalhos que envolvem habilidades manuais, conhecendo música na escola através de apresentação do Conjunto Instrumental Feminino do Centro de Artes da UNIARA .

A parceria do Instituto Ayrton Senna como é vista pelo jovem brasileiro?

O jovem é solução para a sociedade e nunca um problema. Hoje ocupamos espaços que serão deles amanhã. O “Programa SuperAção Jovem” foi desenvolvido para que os jovens encontrem soluções concretas para os problemas de sua comunidade, a fim de reverter o quadro sombrio de muitos deles, desenvolvendo seus potenciais como pessoas, cidadãos, profissionais, parceiros, incrementando iniciativas, exercitando a liberdade, o compromisso e a responsabilidade. A escola tem que se tornar o espaço adequado para que os jovens construam o seu ser em termos pessoais e sociais.

E o educador que trabalha diretamente com esse jovem?

Tem como meta construir um novo ser e um novo mundo, é agente de transformação não só de grupos de jovens como também da família e da comunidade onde atua. Tem que haver oportunidade para que juntos, escola, família e o jovem criem soluções que otimizem seu aprendizado, mudando a maneira de ver, entender, interferindo no ambiente em que vivem.

Um acontecimento que marcou em sua profissão.

Ser Educador significa ser agente de transformação, ter atuação dinâmica, aceitar desafios; a vida profissional é embasada em princípios éticos, em mudanças de paradigmas. Não há um fato isolado que tenha marcado; todos os dias nos deparamos com um novo aprendizado, vivenciamos acontecimentos que nos fazem continuar a aprender, porque estamos em contato direto com seres humanos, trocando experiências tanto na periferia de um grande centro urbano, em uma tradicional escola particular de São Paulo, quanto na escola em que trabalho hoje, aqui na cidade.

Mensagem aos jovens…

Tenho um filho jovem. Tenho que acreditar nele e em sua geração, assim como houve um tempo em que acreditaram em minha geração. A mudança tem início em nós mesmos. Tem que acreditar na família, na escola, na sociedade da qual fazem parte. Nós, enquanto pais e professores, devemos transmitir-lhes segurança, valores, princípios éticos e sociais para que cresçam com confiança e discernimento e que contribuam para a formação de uma sociedade mais justa e igualitária.

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