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GEPOL – Protagonistas da História

Roberto Massafera

Poucas pessoas tiveram a oportunidade de acompanhar, participar e ajudar a construir tantos capítulos da história de Araraquara quanto Roberto Massafera. Engenheiro, esportista, ex-prefeito e figura marcante da vida pública, ele concedeu uma entrevista ao Jornal de Araraquara, na qual relembrou momentos que moldaram sua trajetória e, ao mesmo tempo, a própria história da Morada do Sol.
Mais do que narrar fatos, Massafera compartilhou experiências, desafios e decisões que ajudaram a definir os rumos da cidade ao longo de décadas.

Das origens humildes ao sonho da engenharia

Nascido em Araraquara, Roberto Massafera cresceu em uma família de origem simples. Seu pai, Gerson Massafera, trabalhava na antiga Companhia Paulista de Força e Luz e complementava a renda da família consertando relógios para revendê-los.
Ainda jovem, encontrou no esporte uma de suas grandes paixões. Em 1958, integrou a equipe juvenil da Ferroviária ao lado de nomes que posteriormente fariam história no futebol, como João Galhardo, Dudu e Linguiça.
Apesar do entusiasmo pelos gramados, um conselho mudaria completamente sua vida.
Segundo relembrou, o treinador conhecido como Picoim chamou-o para uma conversa e foi direto:
— Seu futuro não está no futebol. Sua vocação é ser engenheiro.
A orientação foi decisiva. Roberto deixou o sonho do esporte profissional para dedicar-se aos estudos, iniciando uma carreira que transformaria sua vida e também a cidade.

Liderança desde os tempos de faculdade

Na universidade, Massafera rapidamente assumiu posições de liderança no movimento estudantil.
Em 1966, participou de um congresso que discutia mudanças na formação dos engenheiros brasileiros. O encontro, entretanto, ocorreu durante o período da ditadura militar.
Uma denúncia informava que haveria distribuição de material considerado subversivo entre os participantes. Como consequência, um caminhão da polícia cercou o local e todos os estudantes presentes foram presos, incluindo Massafera, que permaneceu aproximadamente uma semana detido em razão de sua atuação na liderança estudantil.
Durante esse período, recorda que chegou a receber a visita de um vereador de Araraquara, interessado em saber como estavam os estudantes da cidade.

A decisão que o trouxe de volta para casa

Após concluir a graduação em Engenharia, Roberto Massafera recebeu propostas para trabalhar em São Paulo.
Entretanto, durante uma cerimônia de formatura, encontrou o engenheiro Nelson Barbieri, responsável por importantes empreendimentos industriais da região.
Na conversa, Barbieri fez um apelo que Massafera jamais esqueceu: que todo jovem araraquarense deveria retornar à cidade para aplicar aqui o conhecimento adquirido.
Naquele mesmo momento, veio o convite para trabalhar em Araraquara. A decisão mudaria novamente sua trajetória.

A construção do Gigantão

Entre os primeiros grandes desafios profissionais esteve a conclusão do Ginásio Gigantão. Segundo Massafera, a obra foi executada em ritmo intenso e concluída em apenas seis meses.
A história guarda uma curiosa coincidência.
Além de engenheiro responsável pela construção do ginásio, Roberto também era atleta de basquete e, pouco tempo depois de entregar a obra, passou a disputar partidas justamente na quadra que ajudara a construir.

Da engenharia para a política

Embora não tivesse planejado seguir carreira política na época, Roberto Massafera acabou sendo convencido por lideranças do então MDB.
Na época, muitos filiados não desejavam disputar a Prefeitura, e o partido buscava um nome novo para liderar o projeto. Foi então que Mazinho o procurou.
Segundo Massafera, ele apresentou diversas razões para recusar o convite: não possuía recursos financeiros, não conhecia campanhas eleitorais e nunca havia exercido atividade política.
Mazinho respondeu que resolveria cada um desses problemas.
A campanha foi organizada, Gaeta tornou-se seu vice, outras lideranças passaram a integrar o projeto e o então desconhecido candidato cresceu rapidamente junto ao eleitorado.
Massafera relembra que iniciou a campanha com cerca de 5% das intenções de voto e terminou alcançando aproximadamente 35%. Naquele momento, porém, Waldemar De Santi venceu a eleição com cerca de 45% dos votos.
Ele afirma que a derrota feriu seu orgulho, mas serviu de motivação para continuar. Nas eleições seguintes, conquistaria a Prefeitura de Araraquara.

A administração da cidade

Ao assumir o Executivo, Roberto Massafera afirma que já conhecia profundamente o funcionamento da administração pública. Tinha acompanhado de perto os governos de Rubens Cruz e Waldemar De Santi e entendia os desafios enfrentados pelo município.
Durante a entrevista, fez questão de destacar a importância de seu vice-prefeito, Gaeta.
Segundo ele, enquanto concentrava-se no planejamento estratégico da cidade, Gaeta executava e coordenava grande parte da gestão cotidiana, especialmente na zeladoria urbana.
Na visão de Massafera, o reconhecimento que Araraquara recebeu durante muitos anos pela limpeza, conservação das praças e organização dos espaços públicos teve participação decisiva de seu vice-prefeito.

A história dos trólebus

Massafera esclareceu que o sistema não foi encerrado durante seu governo, como muitas pessoas acreditam.
Segundo explicou, os ônibus elétricos surgiram ainda na década de 1960, durante a administração de Rômulo Lupo, por meio de uma parceria entre o município e a iniciativa privada.
Na época, a operação contava com incentivos fiscais e energia subsidiada pela então Companhia Paulista de Força e Luz, quando esta ainda era estatal.
Posteriormente, com a privatização da empresa de energia, os benefícios deixaram de existir.
Ao mesmo tempo, Araraquara expandia seus bairros, tornando cada vez mais difícil atender toda a cidade apenas com a rede aérea necessária aos trólebus. A solução encontrada foi ampliar gradativamente a frota de ônibus movidos a diesel, isso ocorreu durante o governo de De Santi.
Quando assumiu a Prefeitura, segundo Massafera, o sistema elétrico já se encontrava praticamente desativado, com veículos sucateados e exigindo investimentos incompatíveis com a realidade financeira do município.

Uma vida ainda dedicada à cidade

Mesmo após décadas de vida pública, Roberto Massafera demonstra entusiasmo ao falar de Araraquara.
Durante a entrevista, afirmou que ainda possui disposição, energia e vontade de continuar contribuindo com o desenvolvimento do município.
Sua trajetória reúne capítulos vividos na engenharia, no esporte, na educação e na política, sempre ligados à cidade onde nasceu.
Independentemente das diferentes visões sobre cada período da administração pública, sua participação na história de Araraquara é incontestável. São décadas de atuação em obras, projetos, decisões e transformações que ajudaram a moldar a cidade conhecida hoje.
É justamente por esse legado que Roberto Massafera ocupa lugar de destaque na série “Protagonistas da História”, do Jornal de Araraquara, dedicada àqueles que contribuíram, cada um à sua maneira, para escrever a história da Morada do Sol.

1993 Posse no cargo de Prefeito

1962 – IV Campeonato Juvenil do Interior

1995 Duplicação da Rodovia Araraquara-Américo

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