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Games na Aula

José Renato Nalini, secretário da Educação do Estado

Estamos em plena era digital. A informatização conquistou todos os espaços, há vantagens evidentes. A obtenção de dados é instantânea. Consegue-se transferir dinheiro, fazer pagamentos, agendar consultas, fazer compras, controlar o trânsito. E muita novidade virá logo, com as roupas “virtuais” já testadas.

E a educação? Ela ganha com esses avanços tecnológicos?

Na verdade, o conhecimento está disponível e hoje é comum que o professor seja questionado enquanto fala algo que o aluno conferiu no Google. Há também o excesso de informações, essa inflação que atordoa e que pode fazer com que a pouca atenção do alunado seja dispersa pelas infinitas requisições do whatsApp, face, twitter e tantos outros aplicativos.

Outra questão que precisa ocupar a mente dos pedagogos é a do uso dos jogos, os “games” que começaram tão singelos e hoje são sofisticados e viciam crianças de todas as idades… Há muito adulto dependente dos últimos lançamentos. Presenciei essa verdadeira onda de escravos dos games e vi o quão intenso é o vínculo para quem se entrega à prática.

Os americanos já concluíram que os games não prejudicam a visão.

Ao contrário, há um aumento da acuidade visual entre os jovens jogadores. Alguns dos benefícios constatados pelos cientistas mostram que o jogo “call of duty”, com cenas de batalhas da Segunda Guerra Mundial, tinham facilidade maior em responder questões sobre história. O “unreal tournament”, jogo violento, evidenciou melhor acuidade visual assim como a percepção de contraste. O “civilization”, jogo de estratégia auxiliou o alunado a ter um desempenho satisfatório em temas como economia, geopolítica e desenvolvimento das nações. Por sua vez, o “Betty’s Brain” ensinou os estudantes a compreender como raciocinar mediante utilização de princípios do método científico. Há um game conhecido por “Critter Corral” o qual, com a introdução de problemas aritméticos, estimulou a aptidão matemática de crianças entre 3 a 4 anos. Até para afastar risco de ambliopia, problema ocular que afeta a sensação de profundidade, utilizou-se do game “Medal of honor – pacific assault”.

Os jogos não são inúteis para a educação.

Mas, também não podem substituir a transmissão de conteúdo. Se eles puderem atrair o aluno para a sala de aula e fazê-lo interessar pelas disciplinas obrigatórias, terá feito muito. Enfim, é um instrumento a ser utilizado com cautela e prudência, de acordo com a avaliação do projeto pedagógico e da disposição do mestre, que é, na verdade, quem sabe o que é melhor para o seu alunado.

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