A Igreja do Brasil realiza há 40 anos a Campanha da Fraternidade. Procura unir a espiritualidade de conversão e penitência deste tempo litúrgico, em preparação para a Páscoa, às realidades sociais e carências humanitárias que exigem maior comprometimento da fé cristã.
Neste ano, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) propõe como tema "Fraternidade e tráfico humano" e como lema "É para a liberdade que Cristo nos libertou". Após um longo aprofundamento sobre o assunto, chegou-se à conclusão de que se trata de uma grave chaga social que afeta o mundo e representa um dos mais sérios problemas humanitários do nosso país.
De acordo com Estudos da Organização Internacional do Trabalho (OIT), são consideradas vítimas do tráfico humano pessoas aprisionadas pelo trabalho escravo e a exploração sexual. Em 2012, pelo menos 21 milhões foram vítimas deste crime em todo o mundo. No Brasil, pelo menos 2,5 milhões de pessoas são vítimas deste aliciamento envolvendo crianças, jovens e adultos. Geralmente as vítimas são pessoas frágeis e inocentes que sonham com uma vida melhor, com a chance de sobrevivência ou com uma vida mais digna. São envolvidas em falsas promessas ou simplesmente levadas à força sem qualquer oportunidade de uma outra escolha. Tortura psicológica, constantes ameaças, falta de perspectivas ou falta de proteção dos órgãos de segurança fazem dessas pessoas presas fáceis.
(Padre Róger Araújo é jornalista e membro da Comunidade Canção Nova)