O Jornal de Araraquara inicia uma série especial de entrevistas com os candidatos de Araraquara aos cargos de deputado estadual e deputado federal.
O convite foi feito a todos os candidatos da cidade, que receberão as mesmas perguntas, garantindo igualdade de espaço e oportunidade para que cada um apresente suas ideias, sua trajetória e sua visão para o futuro de Araraquara e da região.
Mais do que conhecer o candidato, é hora de conhecer suas propostas, seu pensamento e seu compromisso com a cidade.
O candidato não teve agenda para uma entrevista gravada, mas ainda pôde responder nossas perguntas. Confira elas:
1. Araraquara possui uma rica história política, educacional e cultural. Na sua visão, qual é o maior legado que a cidade oferece ao Estado de São Paulo e como pretende fortalecê-lo caso seja eleito(a)?
Araraquara construiu um legado de valorização da educação, da cultura e do esporte, de ampliação de direitos, inclusão social e, principalmente, participação popular. Penso que essa foi uma das principais marcas da minha trajetória à frente da Prefeitura, quando colocamos o povo no centro das decisões por meio do Orçamento Participativo. Mais do que definir investimentos, o OP transformou a relação entre poder público e população, mostrando que é possível promover desenvolvimento com democracia, justiça social e participação popular.
Essa mesma visão orientou nossa atuação na educação, na cultura e no esporte, com a criação dos CECs (Centros de Educação Complementar), as Oficinas Culturais, a Escola Municipal de Dança, a ampliação das Escolinhas de Esportes, levando oportunidades aos bairros, bem como a criação das Cooperativas como alternativa de renda, dentre tantos outros projetos.
É essa experiência que quero levar para o Congresso Nacional, defendendo a universalização da educação integral, fortalecimento do SUS, um projeto sério de segurança pública, cultura, esporte, ciência, tecnologia e políticas que reduzam desigualdades e fortaleçam o interior paulista. Quero trazer para Araraquara e para as cidades do interior investimentos e políticas que melhorem a vida das pessoas.
Nós tivemos conquistas que todos achavam que eram só sonhos como os R$ 143 milhões para resolvermos o problema de alagamento da Via Expressa, o Centro de Treinamento do Futebol Feminino, a própria Arena da Fonte no meu primeiro governo. Isso significa que temos que ter projeto e coragem pra realizar. Precisamos colocar Araraquara no circuito dos grandes investimentos. Conseguimos a instalação da CRRC, maior fabricante de trens do mundo, estamos trabalhando para tirar Iesa da recuperação judicial, a Random está crescendo e vou lutar muito para que Araraquara tenha um Datacenter. É preciso ter força e coragem pra levar Araraquara para o Brasil inteiro saber o que temos de bom.
Araraquara está há 15 anos sem representação na Câmara dos Deputados. Quero devolver voz à cidade e à região, levando para Brasília suas demandas e, ao mesmo tempo, levando ao debate nacional as experiências e necessidades do interior.
2. Quais são as três principais prioridades do seu mandato para Araraquara e região? De que forma pretende transformar essas propostas em resultados concretos?
Meu mandato terá uma agenda nacional ampla, mas, quando falamos especificamente de Araraquara e região, destaco três prioridades: saúde, segurança e infraestrutura com desenvolvimento econômico.
A primeira é o fortalecimento do SUS e da saúde regional. Quero trabalhar em Brasília para ampliar os investimentos na média e alta complexidade, fortalecer a estrutura regional e reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias. A experiência do Saúde Cidadã (mutirão de cirurgias e exames) mostra que, com planejamento e articulação entre os governos, é possível ampliar atendimentos e reduzir as filas. Um exemplo concreto também é a articulação com o governo Lula que viabilizou o financiamento de R$ 20 milhões do BNDES para a aquisição do primeiro PET-scan da região, fortalecendo a Santa Casa como referência regional em diagnóstico oncológico.
A segunda prioridade é a segurança pública com um modelo baseado em inteligência, monitoramento, integração das forças de segurança, presença do Estado nas comunidades e, claro, valorização dos profissionais da área.
Quero também trabalhar para que o novo ciclo de desenvolvimento do Brasil chegue ao interior, atraindo investimentos, como fizemos com a CRRC, fortalecendo a indústria, a ciência, a tecnologia e a inovação e gerando empregos qualificados. Araraquara tem universidades, centros de pesquisa, empresas e uma estrutura industrial capazes de participar desse processo. Quero ser essa ponte entre Brasília e a nossa região, trazendo investimentos e oportunidades e ajudando a descentralizar o desenvolvimento de São Paulo.
3. Além da destinação de emendas parlamentares, qual acredita ser o verdadeiro papel de um deputado estadual ou federal na defesa dos interesses da população?
O papel de um deputado é muito maior do que a destinação de emendas. Aliás, tenho críticas severas ao modelo de hoje, baseado em emendas e, muitas vezes, em negociações pouco transparentes, transformando o Congresso num balcão de negócios. O mandato precisa estar a serviço da população, defendendo direitos, participando da construção de políticas públicas e colocando os interesses coletivos acima dos individuais.
É preciso ouvir a sociedade, conhecer as necessidades dos municípios e regiões, transformar essas demandas em propostas e políticas públicas, fiscalizar a aplicação dos recursos e cobrar resultados. Acredito em um mandato próximo da população e com capacidade de articulação em Brasília para transformar demandas em investimentos e ações concretas.
Na minha trajetória de mais de 40 anos, sempre fiz política com diálogo e construção coletiva. Como prefeito, articulei Araraquara com os governos estadual e federal e diferentes forças políticas para viabilizar projetos e investimentos. Como deputado, quero ampliar essa capacidade de articulação.
4. O Brasil vive grandes transformações nas áreas de tecnologia, educação e mercado de trabalho. Como o senhor(a) acredita que o Parlamento deve preparar as novas gerações para os desafios das próximas décadas?
O primeiro desafio é garantir que as novas gerações tenham acesso ao conhecimento e às oportunidades que vão definir o futuro. E isso começa pela educação. Defendo a universalização da escola pública em tempo integral, com ensino de qualidade e acesso à ciência, tecnologia, cultura, esporte e novas experiências.
A tecnologia e a inteligência artificial já estão transformando o trabalho e a sociedade. O papel do Parlamento é garantir que essa transformação não aprofunde desigualdades, preparando os jovens para os novos conhecimentos e protegendo os direitos dos trabalhadores.
Isso exige investir em ciência, tecnologia e inovação, fortalecer universidades e centros de pesquisa e estimular uma nova etapa de desenvolvimento industrial. O Brasil precisa ampliar sua capacidade de produzir conhecimento, inovação e empregos de qualidade. Isso é desenvolvimento, mas também soberania nacional.
Essa é uma concepção presente no projeto de governo do presidente Lula e que também defendo para São Paulo com Fernando Haddad. Precisamos combinar educação, inclusão digital, ciência, cultura, esporte e formação para o mundo do trabalho, garantindo que os filhos e filhas da classe trabalhadora também tenham acesso às novas tecnologias e às oportunidades que elas podem criar.
5. Se ao final do mandato os araraquarenses pudessem lembrar de apenas uma contribuição sua para a cidade, qual gostaria que fosse esse legado e por quê?
Se eu pudesse escolher apenas um legado, gostaria que fosse a ideia de que a política pode transformar a vida das pessoas quando é feita com participação, inclusão social e trabalho coletivo.
Quando olho para minha trajetória em Araraquara, vejo muitas obras, programas e políticas públicas que ajudaram a transformar a cidade: a Arena da Fonte, o novo contorno ferroviário, o Pronto-Socorro do Melhado, a reforma das unidades de saúde e UPAS, o Centro de Referência do Autismo, o Centro de Referência Afro, da Mulher e LGBT, programas como Jovem Cidadão, Oficinas Culturais, Escolinhas de Esportes, entre tantas outras. Mas, mais do que as realizações, mostramos que uma cidade pode avançar quando coloca as pessoas no centro das decisões e assume o compromisso de reduzir desigualdades.
Gostaria que, daqui a muitos anos, as pessoas lembrassem de uma Araraquara mais inclusiva, que ampliou direitos, aproximou os serviços públicos da população e criou oportunidades nas áreas de educação, saúde, cultura e esporte, chegando aos diferentes bairros e regiões. Que tudo o que construímos tenha ajudado a abrir caminhos para que crianças, jovens, trabalhadoras e trabalhadores pudessem ter uma vida melhor e mais oportunidades.
Por isso, peço seu apoio e seu voto para representar os interesses da nossa cidade na Câmara dos Deputados. Meu número é 1316, com Lula presidente, Haddad governador, Marina Silva e Simone Tebet Senadoras.