Nos últimos tempos, o Brasil enfrenta sérios desafios que afetam a vida de todos, mas, entre eles, dois temas têm se destacado: a alta nos preços dos alimentos e a crescente sensação de insegurança. Se o bolso já pesa com os preços dos supermercados, é a falta de segurança que tira o sono de muitos brasileiros. Em diversas cidades a sensação de vulnerabilidade tem sido constante, e a população não sabe mais onde se esconder. Se durante o dia, a violência se apresenta de forma mais sutil, com pequenas molestações, à noite, o cenário se torna mais sombrio, com a sensação de que até ruas mais pacatas podem se transformar em territórios perigosos.
Em Araraquara, moradores da região convivem com um cotidiano marcado pela presença de pessoas vulneráveis, que buscam nas praças abrigo temporário, mas que muitas vezes se tornam espaços de degradação e abandono. “Dia desses, tive a paciência de contar 42 pinos de cocaína em um banco de uma praça”, relatou morador, que preferiu manter sua identidade em anonimato. Esse tipo de situação é vivido por muitos, mas frequentemente visto como um reflexo do abandono social e das dificuldades estruturais enfrentadas.
Comerciantes também expressam seu desespero. A falta de segurança tem afetado não só o bem-estar de quem reside ali, mas também a viabilidade dos negócios. Muitos empresários relatam a dificuldade de encontrar mão de obra disposta a trabalhar, especialmente devido ao crescimento do uso de drogas. Um comerciante relatou que, diante da escassez de trabalhadores, ele se viu obrigado a buscar pessoa em Matão para ajudar na limpeza de seu estabelecimento. “É muita gente jovem, jogando fora o futuro por causa das drogas”, desabafou.
A insegurança, por mais que seja um tema abordado com frequência nas mídias, não pode ser tratada apenas como um problema de polícia. Ela é uma consequência de um sistema social falido, que deixa à margem uma parcela significativa da população. E enquanto não houver políticas públicas voltadas para o combate às drogas e educação séria, o futuro de nossa cidade será, no mínimo, incerto. A reflexão que se impõe é: estamos realmente prontos para enfrentar essa crise? E, mais importante, quem está disposto a construir, de fato, um futuro diferente?
Em tempos de incertezas, é crucial que a sociedade, poder público e setores privados se unam para reverter essa situação. Não podemos mais ignorar a insegurança que aflige as ruas e os corações de muitos. A mudança precisa começar agora, e ela só será possível se cada um assumir a responsabilidade de transformar a realidade em que vivemos.
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