Quatro ministros do Tribunal Superior Eleitoral, afirmando que a apresentação da prestação de contas das últimas eleições habilita candidatos a receber o certificado de quitação eleitoral, na maioria regimental permitem que (atente para o número dos "ex-fichas sujas" que, por conseguinte, estariam alijados do pleito municipal deste ano): 21 mil políticos de nosso país possam concorrer, ganhar o voto dos eleitores que comparecem às urnas por dever moral e obrigação constitucional. Isso posto, os citados "fichas sujas" ficarão sujeitos à apreciação do Ministério Público Eleitoral que, caso encontre receitas ou gastos ilícitos em suas contas, poderá apresentar denúncia à Justiça Eleitoral e pleitear a cassação de seus registros ou até mandatos. Obviamente se a apreciação ocorrer após as eleições deste outubro.
A decisão tem fundamentação, que não permite discussão neste espaço. Mas, que o povo cansado de navegar por impunidade geral e quase irrestrita (sempre irritante), já estava comemorando a saída dos rotulados "fichas sujos". É verdade, ficam sujeitos a processo que, ao tramitar na velocidade que conhecemos, deverá chegar à sentença final depois do mandato de 4 anos que, mesmo com dúvidas volumosas, pode ser conseguido neste ano ao "motivar" eleitores a sufragar seu nome judicialmente sem mancha.
A ficha suja é a comprovada prática de ilícitos. Quase sempre muito difícil de ser comprovada e permite muitos recursos antes da sentença transitada em julgado. A Justiça cumpre sua missão, mas, no caso esbarra na alegria de uma parte dos eleitores que pensava testemunhar a punição de agentes políticos acostumados a vencer de qualquer maneira.
O seu voto, no entanto, pode barrar maus políticos… nem precisa de justificação, basta barrá-los ao se encontrar diante da urna democrática.