N/A

Docemente cruel

Texto: Fabíola Tavernard/PopTevê

Assim que começou a gravar as cenas em que Cristina, sua personagem em “Alma Gêmea”, apronta suas maldades, Flávia Alessandra teve uma conversa com a filha. Giulia, de cinco anos – fruto do casamento com o diretor Marcos Paulo, de quem a atriz se separou em 2002 -, queria saber se a mãe viraria uma mulher má. Flávia explicou à menina que é tudo “de mentirinha”. “Conversamos, expliquei tudo, e ela ficou de me defender no colégio”, diz, bem humorada.

Aos 31 anos, Flávia Alessandra tem, de fato, um certo ar de mocinha. É bonita, simpática, tem voz doce, sorriso fácil e traços suaves. E é justamente a soma desses ingredientes que faz de Cristina uma vilã acima de qualquer suspeita. A prima de Luna, interpretada por Liliana Castro, faz de tudo para conquistar o amor de Rafael, vivido por Eduardo Moscovis. O problema é que, nesse “tudo”, incluem-se verdadeiras atrocidades. “Ela é uma pessoa doce, querida por todos. Quando entra no ambiente dela, com a mãe, é que vira o diabo. Todos adoram a Cristina, ela é a mulher perfeita para substituir a Luna. Isso é que é o pior”, diverte-se a atriz, que já teve a experiência de interpretar outra vilã, a Lívia de “Meu Bem Querer”.

Longe das novelas desde “O Beijo do Vampiro”, em 2002, Flávia confessa que espera quebrar tabus com a personagem. Para isso, não poupou preparações. Trabalhou bastante a sua voz, o que lhe permite oscilar entre o grave e o agudo no momento certo, e assistiu a diversos filmes de época, a fim de pegar os trejeitos. “Tentei zerar todas as expressões para que, quando elas venham, sejam mais fortes no olhar, na sobrancelha levantada”, explica a atriz, que inspirou-se em Bette Davis e em vilãs clássicas de desenhos animados da Disney. “Em uma vilã de época, o linguajar é outro. Isso dificulta, porque é algo muito distante do nosso universo. As maldades até parecem inocentes, mas, para a época, temos de ter a dimensão do que significava chamar alguém de ‘lambisgóia’, por exemplo. Era o fim”, avalia.

Fisicamente, também houve mudanças. Flávia teve de tingir as madeixas de um louro claríssimo, e a raiz tem de ser retocada a cada dez dias. Para manter a pele no tom “branco azedo”, ela tem cuidados extras para não tomar sol. Além da tintura, o peso de interpretar uma vilã parece também não abandonar a atriz. Mesmo depois que ela deixa os “sets” de gravação. “As pessoas às vezes me perguntam se estou tensa. Digo: ‘Não, estou ótima! É que a personagem é o capeta!’ A gente acaba carregando um pouco a energia pesada, não tem jeito”, conforma-se Flávia, que frequentemente sofre de dores no pescoço e pelo corpo. “E, depois das cenas, o pessoal me olha e diz: ‘Nossa, como ela é má, nojenta!’ Até a equipe está me rejeitando!”, resmunga, sem perder o humor.

Mas, como qualquer intérprete de vilã que se preze, Flávia Alessandra busca explicações para as atitudes nada éticas de Cristina. Afinal, as moças do início do Século XX eram criadas com um só objetivo: casar e ter filhos. E Cristina não foi lá “agraciada” com tal destino. Mas ser a responsável indireta pela morte de uma prima não fazia parte da cartilha de qualquer solteirona rejeitada. “Não apóio suas atitudes, mas tenho de visualizar o lado dela. O primeiro ideal de uma moça era o casamento. E o Rafael é o grande amor da Cristina. Para conquistá-lo, ela perde os limites, tenta de tudo”, defende.

Em 1940, quando se passa a trama de “Alma Gêmea”, o destino de uma mulher era, normalmente, o casamento. Em 2005, Flávia acredita que a vida de uma mulher se calça em um tripé: alma gêmea – sim, ela crê na temática principal da trama -, profissão e filhos. E avalia estar em sua melhor fase. “A expectativa é grande, porque é minha primeira grande vilã. Hoje me sinto estruturada emocional e profissionalmente. Mas já espalhei que, depois disso, quero fazer comédia, humor escrachado, de tudo um pouco”, adianta, com um sorriso franco que nem de longe lembra o da dissimulada Cristina.

Compartilhe :

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

DAAE comunica baixa pressão na região do Selmi Dei nesta terça (12) e quarta-feira (13)

Confira as vagas de emprego disponíveis no PAT de Araraquara

Avançam as obras da nova UBS do Jardim Ipanema / Ibirás

Agenda Esportiva

Audiência Pública debaterá regra sobre ano de fabricação de carros de aplicativo

CATEGORIAS