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Do Maranhão ao Brasil: política como cabide de emprego e de interesses pessoais 

Júlio César Cardoso (*)

A perpetuação da reeleição transforma a política em negócio privado e bloqueia a renovação democrática.  

O eleitor maranhense — e brasileiro — precisa fazer o dever de casa: não eleger nem reeleger aqueles que transformam a política em cabide de emprego ou em instrumento para se beneficiar da coisa pública. A observação vale para todo o país, mas o Maranhão continua sendo retrato negativo do subdesenvolvimento por insistir em políticos federais, estaduais e municipais incompetentes, mais interessados em vantagens pessoais do que em servir à coletividade.  

Política sem identidade

 Trocar de partido com a mesma facilidade que macacos saltam de galho em galho revela a ausência de identidade ideológica políco-partidária e a busca apenas pelo holofote do poder. No caso da senadora maranhense Eliziane Gama que migrou do PSD para o PT, fica evidente que a política não é missão cívica, mas negócio pessoal. Afinal, se não fosse o mandato, onde a senadora conseguiria salário equivalente ao que recebe na vida pública? Por outro lado, não há registros de grandes obras ou investimentos diretos no Maranhão atribuídos à sua atuação. Trata-se de mais uma política inexpressiva que compõe o inchado cenário nacional.  

Mandato não é carreira

A política deveria ser exercício de cidadania e serviço transitório à nação. Encerrado o mandato, o retorno à profissão de origem oxigenaria a vida pública. Em vez disso, vemos aventureiros transformando a política em palco de interesses privados. A busca incessante pela reeleição mostra que, para muitos, a política deixou de ser a casa do povo e tornou-se um grande negócio.  

Ninguém é insubstituível

Convém lembrar aos que se julgam insubstituíveis que o cemitério guarda uma legião de ex-políticos esquecidos, cuja ausência jamais fez falta ao país. Quem não tem competência para realizar seus projetos em uma legislatura, que volte para casa. A reeleição perpetua vícios e bloqueia a renovação. O eleitor precisa compreender que o voto é instrumento de mudança — e que a política só recuperará seu verdadeiro sentido quando deixar de ser negócio pessoal e voltar a ser serviço público. 

(*) É Servidor federal aposentado

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