Edinho Silva (*)
O 1º de Maio, tradicionalmente é chamado de “Dia do Trabalho”, o que é um equívoco, já que todos os dias são de trabalho. O correto seria Dia do Trabalhador. Esse sim merece uma data específica para celebrar suas vitórias, conquistadas com duras lutas ao longo da história.
O próprio tradicional “Dia do Trabalho” foi instituído como homenagem a operários mortos em confronto com a polícia, no que ficou conhecido como o Massacre de Chicago, nos Estados Unidos, em 1886. Durante três dias, entre 1º e 3 de maio, centenas de trabalhadores, apoiados por familiares, protestaram contra as más condições de trabalho, reivindicaram aumento salarial e redução da jornada de trabalho que até então chegava a 18 horas por dia.
O Massacre de Chicago foi o ponto de partida para mudanças observadas nos EUA, Inglaterra, Alemanha, França, países mais industrializados na época. Até então, milhões de operários trabalhavam nesses países sem leis que os protegessem, sob as mais duras condições de opressão. Não havia regras de segurança no trabalho, muito menos equipamentos de proteção ao trabalhador, assim como os próprios prédios das fábricas eram inapropriados e insalubres.
No Brasil, a luta do operariado também foi fundamental para a mudança de paradigma. Nas décadas de 70/80, o movimento sindical foi decisivo para derrotar a ditadura militar e gerar uma nova agenda para o país. O movimento sindical do ABC paulista marcou também o nascimento do novo sindicalismo e junto com ele o “nascimento do Lula”, o metalúrgico que chegou a presidência. Lula liderou as principais greves dos metalúrgicos, ações de grande influência no estabelecimento da nova estrutura de poder do país, especialmente na relação capital/trabalho. O novo movimento sindical contribuiu, após décadas de lutas, para a redução da jornada de trabalho, instituição do seguro-desemprego, participação nos lucros e resultados das empresas, estabelecimento da licença maternidade e, recentemente, aposentadoria especial para pessoas deficientes e garantias trabalhistas para as empregadas domésticas. Também foi a articulação dos trabalhadores que estimulou a reforma agrária e propiciou a eleição de membros do movimento sindical para cargos públicos, estabelecendo uma nova ordem de representação política, em que os trabalhadores assumiram protagonismo.
Diante desse rápido balanço, vamos definitivamente mudar essa identificação do 1º de maio. O correto é mesmo homenagear o trabalhador, que não importa a profissão ou ramo de atividade, contribui a cada dia para a construção de um novo país. Parabéns todos os dias para todos os trabalhadores do Brasil!
(*) É deputado estadual do PT.