Desemprego e propaganda

Antonio Delfin Netto (*)

Na semana que passou tivemos a confirmação de um dos piores indicadores da economia, com a divulgação do crescimento do desemprego nas dez principais capitais brasileiras. Não é um tema agradável, mas é preciso voltar ao assunto na esperança de despertar o governo para a necessidade de corrigir os rumos de sua política recessiva, evitando que a situação piore ainda mais e atinja uma alta voltagem nesse ano eleitoral .

Com uma força de trabalho em torno de 70 milhões de pessoas, o índice de 7,6% de desemprego atingido no mês de abril significa algo próximo de 5 milhões de brasileiros na rua da amargura, concentrados nas principais regiões metropolitanas do país. É uma situação extremamente preocupante e não é crível que o governo continue indiferente à desintegração social que ela produz. Somente no caldeirão da Grande São Paulo temos 1 milhão e 900 mil trabalhadores nessa condição, a maioria no limite da desesperança, após 30 ou 40 semanas de inútil procura por um emprego que sumiu.

O que mais irrita as pessoas é assistir a forma como o governo procura enganar a sociedade, quando investe enormes recursos na propaganda para comemorar ôoito anosõ de extraordinário progresso. Quando ouvem o governo garantir que “o Brasil está no rumo certo”, os nossos 5 milhões de “sem trabalho” devem imaginar que eles é que perderam o rumo, que são incapazes de compreender os novos tempos e que estão excluídos da cidadania pela própria incompetência em ajustar-se à “modernidade”…

Convencido dos benefícios da estabilidade conquistada no primeiro mandato, o povo renovou o voto de confiança no Presidente que prometeu acabar com o desemprego da mesma forma que acabou com a inflação. Faltam sete meses para o término do segundo mandato, tempo suficiente para iniciar a correção de rumos da política. Pelo menos para reduzir a velocidade da desintegração social. Um bom começo seria dizer a verdade ao povo, produzindo uma discussão mais transparente das causas da estagnação da economia e da piora dos indicadores sociais nos últimos dois anos. É tão difícil aceitar que houve uma falha gritante de planejamento do setor energético?

A sociedade colaborou eficazmente economizando energia durante o racionamento e está sendo castigada com o aumento das tarifas, inclusive pagando pela energia que não consumiu. O problema está longe de ser resolvido, pois não se realizaram os investimentos necessários para afastar o risco de novo racionamento.

O governo tem o dever de transmitir à sociedade os seguintes esclarecimentos: 1. Persiste o risco; 2. O racionamento teve conseqüências da maior gravidade: reduziu o ritmo da produção industrial, interrompeu o processo de crescimento e produziu a forte expansão da taxa de desemprego que aí está.

(*) E-mail: dep.delfimnetto@camara.gov.br

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