Desde quando sogra é problema?

Marilene Volpatti

Mesmo sendo chata, ciumenta… Ela pode ser uma aliada e até uma grande amiga.

Nas histórias de cinema, principalmente as de drama, os culpados são os mordomos ou as governantas. Na vida real a sogra, em muitos casos, é responsável pelos problemas conjugais dos filhos. Mas será mesmo? Para a psicologia moderna a sogra é somente o bode espiatório dos casais que não conseguem confrontar as próprias diferenças.

No dia 28 de abril é comemorado o dia da sogra. Afinal quem é essa mulher que ainda causa tanta polêmica?

Nas estórias ela tem sempre mil planos para acabar com o casamento da filha ou filho. Esses conflitos rendem ibope mas não responde à realidade. Entre genro e sogra, a relação é bem mais pacífica. Reinaldo, 39 anos, sempre foi confidente da sogra. Houve suas inseguranças e medos, depois que o marido morreu. “A relação com ela é pacífica, profunda, complementar e gratificante”, afirma.

É a mesma situação de Jorge, 33 anos. Após o falecimento de sua mãe, sentindo-se muito carente aconchegou-se na sogra que o adotou imediatamente. É tanta a amizade que sua esposa chegou a reclamar. A sogra sabia como curá-lo. Preparava todos os dias um jantarzinho caseiro que aquecia o estômago e consolava-o nos dias de saudade.

A atitude da sogra, serviu para fortalecer ainda mais o casamento da filha que se depender da mãe, irá completar bodas de ouro ao lado de Jorge.

Nora X Sogra

É uma relação complicada de nora e sogra. Ambas amam o mesmo homem e acham que sabem o que é melhor para ele, por isso entram em competição.

Marinara, 36 anos, relata que a sogra é uma mãe maravilhosa e avó perfeita. Mas, não se dá bem com ela. Acha-a falsa. “Liga para meu marido só para falar mal de mim. Tenta imitar minhas roupas, vive competindo comigo”, desabafa Marinara.

A sogra uma mulher bonita de 57 anos, costuma fazer críticas “inocentes” dizendo que precisa emagrecer um pouquinho, por exemplo. “Até aí quase nada de mais. Se não bastasse falar mal de mim para meu marido coloca meus filhos contra minha pessoa”, diz Marinara.

Para evitar males piores, resolveu dar um tempo, só comparecendo à casa da sogra em datas importantes. “Com isso fico menos magoada, ela se coloca um pouco no lugar dela, para meu casamento poder sobreviver”, finaliza.

A nora não precisa jogar nada na cara da sogra, ela não precisa comprar essa briga. É só fugir da competição, ficando um quarteirão de distância, já é o suficiente.

Quer uma filha

A sogra que espera ganhar uma filha quando o filho se casa, prejudica sua relação com a nora. Não precisa conquistar o amor incondicional da nora, basta somente uma convivência cordial. Se a afinidade for grande, o amor vai se estreitando naturalmente, sem forçar a barra.

Eliza, 61 anos, não deu nenhuma chance as suas noras. Viúva, ainda jovem, criou seus filhos sozinha. Foi super protetora e não queria que os filhos se casassem jamais. Megera assumida, tentou impedir os casamentos, mas não conseguiu. Hoje está conformada.

Se verificarmos o outro lado de Eliza, veremos que é uma pessoa solitária que agride para não se expor à decepção. “Eu sei que minhas noras só querem visitar suas mães, eu nunca. No começo até preparava almoço no dia das Mães, Natal, Ano Novo, mas elas nunca vinham”. Diz que está conformada com a separação desde que não lhe tirem a felicidade de ver os netos.

Como existe sogras como Eliza, existe também, sogras como Cleuza. Com 53 anos, vida independente, rotina nada parecida com a sogra convencional. Namora um homem mais novo que ela que considera o maior presente em sua vida atual. “Um namorado mais jovem é gostoso e deixa a gente mais disposta. Me dou bem com meu genro e minha nora, não interfiro na vida de nenhum deles e curto muito meus netos. Passo as férias na casa de meu filho que mora em uma cidade praiana e sou sempre muito bem recebida”, afirma Cleuza que é o oposto de Eliza. Ainda bem!

Inimiga declarada

“Quando estamos juntos: eu, minha sogra e meu marido, ela se mostra preocupada comigo e super amiga, por trás do filho e quando não há público, é hostil e fria”, conta Luciana, 28 anos.

“Quando fizemos um ano de casados, resolvemos comprar um carro. Aí foi o auge de sua inconveniência: convenceu meu marido a não me levar, ela foi junto, alegando que seria uma surpresa para mim. Fiquei possessa de tanto ódio. Não pude dar palpite nem na escolha da marca. E o dinheiro para a compra metade era meu, calcula se não fosse”, contou a indignada Luciana.

Acrescenta que está tentanto obter a cumplicidade do marido para enfrentar a sogra, mas está difícil. O confronto é entre a sogra e a nora e não entre o filho e a mãe. Quem tem que resolver o problema é Luciana, dando um basta colocando-a em seu devido lugar. Ela se casou com ele e não com a sogra. A mãe precisa entender que a partir do momento que o filho saiu de casa para se casar ele formou outra família e não tem culpa se a mãe é possessiva e ciumenta.

Resolvendo

Dizer que sogra acaba com casamento é conversa. Se ela cria problema entre o casal é porque alguém a está levando para dentro de casa. A nora se queixando, ou o marido exaltando a mãe sempre. Mesmo morando na mesma casa, a sogra não tem o poder de se meter na intimidade do casal, a não ser que lhe dêem essa permissão. O que separa um casal é a relação com problemas, por isso permite a interferência de terceiros.

Marly, 67 anos, mãe de 4 filhos e uma filha, todos casados, diz que vive muito bem com todos eles. “Minhas noras são diferentes umas da outras, umas mais calmas outras mais agitadas. É uma questão de temperamento. Nos entendemos muito bem. Quanto aos meus filhos não deixaram de gostar de mim por causa das esposas, são amores diferentes. Existe espaço para todos os amores em nossas vidas. O casamento dos filhos não implica em separação. Eles são adultos e não seria normal tê-los na barra de minha saia”, completa Marly deixando seu exemplo para muitas sogras.

Serviço

Consultoria: Drª Tereza P. Mendes – Psicoterapeuta Corporal – Fone: 236-9225.

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