Até qualquer dia Deodata Leopoldina Toledo do Amaral. Abraço do J.A. já com saudade e sublinhando o maior respeito pela sua sensibilidade e lealdade. Um exemplo que pode levedar a nossa política. (G.Polezze)
Ex-vereadora com quatro mandatos consecutivos, Deodata faleceu no sábado (16), aos 84 anos. Seu sepultamento no domingo (17), Cemitério São Bento.
Nascida em Cravinhos, região de Ribeirão Preto, dia 26 de agosto de 1929, foi uma das pioneiras na luta pelos direitos das mulheres. Mudou-se aos 7 anos para Araraquara, foi estudante interna do Colégio Progresso, trabalhou na Estrada de Ferro Araraquara, porém, foi como visitadora de Saúde Pública do SESA, de 1954 a 1978 onde conheceu os pontos mais carentes da cidade.
No ano de 1983 assumiu seu primeiro mandato na Câmara de Araraquara, eleita com 1.137 votos. Em 1989 o segundo, com 3.428 votos, sendo a mais votada. No ano de 1993, o terceiro mandato, com 1.537. Exerceu a função de Secretária da Promoção Social, no governo do prefeito Roberto Massafera. Deodata retornou à Câmara em 2001 quando obteve o maior número de votos na história da vereança: 4.035.
Deixa viúvo Vagner Amaral, com quem teve 4 filhos: José Luiz (já falecido), Luiz Augusto, Sílvia e Lúcia. Ainda noras, genros e netos. O filho José Luiz faleceu em setembro de 2009, como Engenheiro da Prefeitura tendo papel destacado no governo Waldemar De Santi. (Francisco de Assis, da assessoria camarária)
"Deodata deixou de existir neste nosso mundo, foi para um plano superior. Sua alma pura e delicada continua oferecendo bons flúidos. Como minha secretária da Promoção Social me puxava para a periferia em bairros sem rede de água e esgoto, não tinham asfalto, faltavam creches às famílias mais humildes que chegavam a passar fome. Então elaboramos uma organização para distribuir 500 cestas básicas com ajuda do Tiro de Guerra. Em 1993 já se fazia o que Dona Ruth Cardoso fez com a Comunidade Solidária e agora temos no Governo Federal com Bolsa Família", afirma Massafera.
O deputado Massafera continua falando sobre Deodata do Amaral: "ela tinha essa uma visão social extremamente fraterna de não deixar pessoas com fome e passando outras necessidades, como remédio, assistência médica, ambulância. Hoje em dia precisamos de três para fazer o que ela fazia. Era uma grande companheira, uma agente política gigantesca, mãe carinhosa e presente. Deodata vai fazer falta neste nosso mundo, mas, tenho certeza de que ela já deve estar trabalhando em outro lugar.
Deodata foi visitadora de saúde do SESA, tinha uma filosofia invejável sobre promoção social e lealdade era uma característica muito forte.
Deodata foi muito leal a mim, ao Marcelo Barbieri e ao PMDB do qual fez parte, mas, lembro que em 1.988 quando fui candidato a prefeito, o Valdemar De Santi tinha 50% de intenção de voto. Eu com apenas 5% aceitei a candidatura, sem pretensão de ganhar. Visando uma boa campanha a Deodata pegou na minha mão e saímos andando pela periferia. Em cada casa que a gente entrava ela tinha feito um parto, tinha levado remédio, levado roupa, já tinha dado cesta básica, já tinha feito um mutirão de água e esgoto… corri a periferia de Araraquara com ela. Eu era um jovem desconhecido na política e, com ela, nós crescemos muito e e cheguei aos 35 mil votos. De Santi ganhou com 37 mil votos, só 2 mil a diferença. Eu não tinha experiência política, mas, tinha a amizade carinhosa da Deodata que sempre foi espetacular em termos humanos. Para a história, devo a Deodata essa significativa votação. Aliás, para ela e ao Dudu Lauand que, através da Gota de Leite, tinha participado do parto em milhares de casas. Foram duas pessoas conhecidas apresentando um ilustre desconhecido. Deodata era conhecida pela caridade, dedicação, esforço comunitário, pelo exemplo que deve ser seguido pelos políticos em geral. Ela ia trabalhar pensando nos outros, o dia a dia dela era para pensar nos semelhantes. Deodata vivia para pensar e batalhar pelo próximo, isso até o fim desta encarnação. Creio que ela vai continuar trabalhando".