Luigi Polezze
Denúncias recebidas pelo Jornal de Araraquara traz relatos sobre falhas estruturais, possíveis falhas trabalhistas e de segurança na UPA e no Hospital do Melhado. Entre os relatos estão a atuação de funcionários que não constariam oficialmente nas escalas de trabalho e a instalação de uma centrífuga para análise de sangue, cuja operação, segundo a equipe de enfermagem em abaixo-assinado, deveria ser realizada por biomédicos.
As denúncias também incluem fotos mostrando portas quebradas, equipamentos inutilizáveis e problemas de fiação elétrica. A questão da segurança preocupa: o Hospital do Melhado não conta mais com controladores de acesso, enquanto a UPA possui apenas dois guardas municipais, medida considerada insuficiente diante de situações de risco envolvendo pacientes exaltados e pessoas em situação de rua.
Outro ponto levantado é a redução do adicional de insalubridade de 40% para 0%. Servidoras pedem ao menos o retorno de 20%, alegando exposição constante a riscos de contaminação por parte das atendentes. As mesmas relatam adoecer com frequência devido ao contato direto com pacientes, em ambientes que não contam com barreiras mínimas de proteção, como divisórias de acrílico.
Resposta do Executivo
A redação buscou resposta junto a Prefeitura de Araraquara que afirmou não ter recebido relatos de colaboradores, gestores ou da Guarda Civil Municipal sobre invasões ou problemas de segurança nas unidades. “Mesmo porque, a Unidade de Retaguarda do Melhado conta com câmeras de segurança que foram instaladas recentemente. As outras unidades já possuem câmeras de segurança”, destacou. O Executivo informou ainda que novas reuniões com a GCM estão em andamento para intensificar a vigilância. Ainda frisa como a GCM presente é para atuar tanto na UPA quanto no hospital.
Quanto ao adicional de insalubridade, a Prefeitura esclareceu que os valores foram reorganizados conforme laudo técnico (LTCAT) de 2025, exigido pelo Ministério Público do Trabalho. “A recepção da UR Melhado não conta com vidros porque, habitualmente, quem realiza a internação dos pacientes são os acompanhantes, e o laudo descreve exatamente as condições técnicas para tal classificação e remuneração”, informou a administração. Contudo, atendentes relatam que, em situações de emergência, muitas internações acabam sendo feitas diretamente por eles, o que contraria o cenário descrito pela Prefeitura.
Sobre a gestão da unidade, o Executivo destacou que a estrutura conta com diretores médicos (clínico e técnico), uma assessora técnica e enfermeiras gestoras em cada período. A explicação, porém, não respondeu diretamente ao abaixo-assinado apresentado pela equipe de enfermagem, que denuncia acúmulo de funções em casos para operação da centrífuga.
Por fim, em relação a funcionários que não constariam oficialmente nos quadros da UPA, a Prefeitura esclareceu que esses possuem vínculo empregatício com a FunGota ou com a própria administração municipal, estando devidamente nomeados de acordo com as atribuições e funções que exercem na unidade.





