Crescimento sem medo

Antonio Delfim Netto (*)

Há um ano, diante das dificuldades que a economia brasileira teria que superar no curtíssimo prazo, poucas pessoas se aventuravam a especular sobre nosso futuro além dos próximos cem dias, se muito… O que se especulava, realmente, era a respeito da capacidade do novo governo de gerenciar a pesada herança deixada pela administração anterior: inflação em crescimento, descrédito interno e alta vulnerabilidade externa. Isso iria exigir, como todos vimos, medidas duras e impopulares ao longo do ano. A equipe econômica apanhou muito, errou pouco, mas fez as correções necessárias, domando a inflação e acalmando a excitação externa. O preço cobrado da população em 2003 não variou muito do que vigorou durante a última década de baixo crescimento e alto desemprego, com uma diferença muito significativa, contudo: os sinais emitidos pelo setor produtivo estão convergindo na direção do crescimento, com a retomada dos investimentos privados no segundo semestre. Quando o “fabricante de parafusos” volta a investir é, para mim, o melhor aviso que a indústria está perdendo o medo de crescer…

O que vinha funcionando razoavelmente bem na economia melhorou: a agricultura e as exportações. Tivemos um recorde de produção de grãos de 120 milhões de toneladas na etapa 2002/2003 e as indicações preliminares de plantio apostam num crescimento para 125 milhões para as safras 2003/2004 (os mais otimistas falam em 130 milhões/t, o que é um pouco prematuro, mas não impossível). O crédito ao setor aumentou, embora fosse desejável uma expansão bem mais vigorosa e orientada para ampliar os ganhos de produtividade que o setor vem obtendo graças aos novos métodos de plantio e ao uso dos equipamentos modernos que a nossa indústria voltou a produzir.

O saldo comercial voltou a crescer e chega ao final de 2003 acima de 24 bilhões de dólares, com as exportações crescendo aproximadamente 17% e, o que é muito significativo, com as importações também crescendo, inclusive de bens de capital que foram maiores 30% em comparação com o fraco ano anterior. As exportações agrícolas, que já haviam dado um salto de 40% em 2002 (em relação a 2001) voltaram a crescer 25% em 2003! Esses resultados mostram como tem melhorado a capacidade de competição de nossas exportações, tanto dos bens primários como nos manufaturados, que cresceram 19% este ano, sobre 2002.

No próximo comentário (já em 2004) pretendo abordar o crescimento dos investimentos e o papel decisivo da expansão das exportações na redução da dependência externa para a retomada mais rápida do desenvolvimento. Desejo aos leitores que tiveram a paciência de me acompanhar este ano, um Laborioso, Rentável e Feliz 2004.

(*) E-mail: dep.delfimnetto@camara.gov.br

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