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CORONAVÍRUS: O DILEMA!

Coca Ferraz

Um avião vai cair e matar todos os seus ocupantes, exceto se a metade deles for "jogada" para fora; aí a outra metade seria salva. Se a opção for esta, estará sendo praticada a doutrina utilitarista criada pelo filósofo inglês John Stuart Mill, século 19, defendendo que a atitude mais correta é a que resulta na felicidade para o máximo de pessoas.

Quem escolher para ser sacrificado? Seguindo com o utilitarismo devem ser as pessoas de mais idade que, se presume, vão viver menos, pois deve ser maximizado o número de anos de vida que o grupo tem pela frente.

Segue um dilema teórico clássico. Um trem vai atingir 5 pessoas que trabalham desprevenidas sobre a linha. Mas você tem a chance de evitar a tragédia acionando uma alavanca que leva o trem para outra linha, onde ele atingirá apenas 1 pessoa. Você mudaria o trajeto, salvando as 5 e matando 1? Em pesquisa feita pela revista "Time", 97% das pessoas praticariam o utilitarismo salvando os 5.

Imagine a mesma situação anterior em que há apenas uma linha e o trem só pode ser parado se algum objeto pesado for jogado na sua frente. A sua opção é empurrar para a linha um homem com uma mochila muito grande que está ao lado da ferrovia, salvando as 5 pessoas, mas matando o homem. Na pesquisa da "Time", 60% das pessoas fariam isso valor bem menor que 97%. Outra versão desse cenário propõe uma catapulta para jogar o homem com a mochila nos trilhos. Neste caso, a maioria volta a optar por matar 1 para salvar 5. Conclusão: a opção pelo utilitarismo depende da situação; no caso, as pessoas estão dispostas a matar com máquinas, mas não com as mãos.

Pela ética utilitarista, o importante é minimizar o número de vítimas.

Assim, vale a pena sacrificar uma vida para salvar cinco. A ética humanista apregoa algo diferente: o homem com a mochila tem direito à vida e não pode servir de meio para salvar os outros.

O que isso tem a ver com o coronavírus? Colocado de forma extremamente simplista, o combate ao vírus tem duas opções. Opção 1: forte isolamento social por período prolongado com "poucas" mortes no presente, limitadas sobretudo a idosos/doentes crônicos, mas que levará a destruição da Economia provocando mortes, inclusive de crianças e jovens.

Opção 2: fraco isolamento social que provocará mais mortes no presente, mas preservará a Economia evitando "muitas" mortes no futuro.

Se você optar por 1 estará, de certa forma, escolhendo a doutrina humanista. Se optar por 2, a utilitarista. Sob a ótica da Lógica, o indicado é ficar no meio praticando um mix de utilitarismo e humanismo. A propósito, seguindo o milenar conselho: a melhor solução está no meio. Com variações aqui e ali é o que a maioria dos países tem feito.

Finalizo falando de um dilema pessoal. Como estou no grupo de risco, fico pensando se não é melhor ser logo infectado e, se necessário, encontrar vaga para tratamento hospitalar agora que a pandemia está no começo; porque, depois? Melhor não, melhor rezar para que rapidamente seja encontrada uma vacina ou um remédio contra esse terrível mal.

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