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Como nos livrar da dependência

José Renato Nalini (*)

Quase toda a humanidade está dependente das redes sociais. As gigantescas big techs dominam o mundo. Meta, Amazon, Microsoft, Google e Apple impõem sua vontade a inúmeros países. O capital de cada qual pode ser superior ao PIB dessas nações. Onde está a verdadeira soberania?

Alguma condição de reduzir a dependência brasileira quanto a serviços e plataformas americanas?

De acordo com estudo da Comscore, o Brasil tem 116 milhões de usuários digitais ativos e 86% da população faz uso de redes sociais. Para lazer, trabalho ou comunicação. Quase noventa por cento dos brasileiros frequentam Instagram, Facebook, WhatsApp, Gmail e Amazon. Só que essa é apenas a parte visível da dependência.

A Amazon, por exemplo, é uma das maiores provedoras de serviço de nuvem do País. Isso significa a existência de muitas empresas que não conseguem se livrar dela. Google e Gmail são donos do Android, sistema instalado em grande parte dos celulares. Sem essas gigantes, difícil imaginar que o País continue ativo nas redes sociais.

Não é apenas o uso das plataformas der redes sociais. As grandes empresas de tecnologia são provedoras de serviços essenciais para o funcionamento da internet no Brasil, tais como datacenters e operações em nuvem. Quem é que assumiria essa função em lugar delas?

E isso porque as plataformas americanas reinaram em frutífero monopólio, ao contrário da China, onde o Estado construiu bases nacionais para elas. A China tem autonomia nessa área e pode vetar o ingresso de empresas ocidentais. A migração, ainda que houvesse tecnologia disponível, levaria tempo e nos conduziria ao caos. Por fim, a diversidade de estruturas que permite o funcionamento da internet no Brasil tornaria o rompimento com essas empresas praticamente impossível. São mais de vinte mil provedores de internet, com cerca de vinte e três milhões de pontos de acesso. Acrescente-se que o Brasil tem déficit no uso de datacenters. A interrupção dos serviços causaria isolamento internacional, o que acontece na Rússia. Já fomos “Pária Ambiental”. Estaríamos prontos para ser também “Pária Digital”?

Para as empresas também não é negócio deixar o Brasil. Afinal, cada brasileiro passa mais de nove horas por dia online, muito acima da média global. Então, o melhor é regular as redes, continuar com elas e investir em pesquisa, para conseguir no futuro uma utópica independência digital.

(*) É Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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