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Com altas temperaturas, especialistas alertam para riscos da desidratação no verão

Com a chegada do verão e o aumento das temperaturas, crescem também os casos de desidratação, especialmente entre idosos, crianças e pessoas que praticam atividades físicas ao ar livre. A condição, muitas vezes subestimada, pode provocar complicações sérias, como exaustão pelo calor, queda de pressão, alterações cognitivas e até necessidade de atendimento médico.

Segundo a nutricionista e docente da Wyden Taiane Cazumbá, o risco aumenta nesta época do ano porque o organismo perde mais líquidos para regular a temperatura corporal. “As altas temperaturas intensificam a sudorese e, consequentemente, a perda de água e eletrólitos. Além disso, em ambientes quentes e úmidos, o corpo precisa trabalhar ainda mais para manter o equilíbrio térmico, o que eleva o risco de desidratação”, explica.

Sinais que não devem ser ignorados

Os primeiros sinais de desidratação costumam ser leves e, por isso, frequentemente negligenciados. A especialista destaca que sede discreta, boca e lábios secos já indicam desequilíbrio hídrico. Outros sintomas incluem redução do volume urinário, urina mais escura, cansaço, dor de cabeça leve, tontura, sonolência e dificuldade de concentração.

“Evidências científicas mostram que mesmo a desidratação leve pode comprometer funções cognitivas, como atenção, memória e humor, sendo muitas vezes confundida com estresse ou fadiga do dia a dia”, alerta Taiane.

Os sinais de desidratação nem sempre se manifestam de forma intensa logo no início, mas, quando ignorados, podem evoluir para quadros mais graves. Segundo a nutricionista, sintomas como tontura persistente, fraqueza intensa, confusão mental, batimentos cardíacos acelerados, vômitos, desmaios ou ausência de urina por longos períodos indicam que o organismo já está em sofrimento e exigem avaliação médica imediata. “Nesses casos, a reposição oral pode não ser suficiente, sendo necessária hidratação venosa e monitoramento clínico, especialmente em idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas”, alerta.

Água é suficiente ou é preciso repor eletrólitos?

De acordo com a nutricionista, a água pura atende à maioria das pessoas em situações habituais. No entanto, em casos de atividade física intensa e prolongada, exposição excessiva ao calor, sudorese abundante, vômitos ou diarreia, pode haver perda significativa de eletrólitos, como sódio e potássio.

“Nessas situações, apenas água pode não ser suficiente. A reposição de eletrólitos ajuda a prevenir cãibras, fadiga, queda de desempenho físico e alterações neuromusculares”, orienta.

Quanto beber no verão?

A ingestão ideal de líquidos deve ser individualizada, considerando idade, nível de atividade física, clima e estado de saúde. Em adultos saudáveis, especialmente no calor, a recomendação prática costuma variar entre 30 e 35 ml de água por quilo de peso corporal por dia, somando água, outras bebidas e a água presente nos alimentos.

Crianças precisam de oferta frequente, já que têm menor percepção de sede. Já os idosos exigem atenção redobrada, pois a sensação de sede diminui com o envelhecimento. “É fundamental estimular o consumo regular de líquidos ao longo do dia, mesmo sem sede”, reforça a docente.

Boa hidratação também ajuda na saúde da pele

A hidratação é um dos pilares da saúde da pele. Quando o corpo se mantém bem hidratado, há o equilíbrio do filme hidrolipídico (uma camada protetora natural responsável por evitar perda excessiva de água e impedir a entrada de agentes irritantes). De acordo com o Dr. Wilson Ferreira Almino, médico dermatologista do IDOMED, isso se traduz em pele mais firme, macia e com melhor elasticidade. “Além disso, a hidratação adequada ajuda a regular processos importantes para a renovação celular e para a função de barreira da pele, reduzindo ressecamento, descamação, irritações e até o risco de dermatites”, explica.

Em períodos de calor, manter uma boa ingestão de líquidos e usar hidratantes conforme o tipo de pele é ainda mais importante. “Nos dias quentes, a pele fica mais vulnerável a queimaduras, manchas, envelhecimento precoce e desidratação. Por isso, algumas medidas são fundamentais, como uso de protetor solar, preferir roupas leves, de tecidos que protegem contra radiação, como peças com FPS têxtil, chapéu e óculos de sol. Sem contar que evitar exposição direta nos horários de maior intensidade UV, entre 10h e 16h, também ajuda”, orienta.

Em alguns grupos, essa atenção precisa ser redobrada. As crianças entram neste quadro, porque têm uma pele mais fina e perdem água mais facilmente, além de riscos maiores com queimaduras solares. Os idosos também, uma vez que têm a barreira cutânea mais frágil e menor capacidade de retenção de água, aumentando o risco de ressecamento e irritações. “Pessoas com doenças dermatológicas, como rosácea, dermatite atópica, psoríase e melasma, que podem apresentar piora com o calor e a radiação UV, ou mesmo quem faz uso de medicamentos fotossensibilizantes, como alguns antibióticos, anti-inflamatórios e diuréticos, são alvos de atenção”, destaca.

Orientações práticas para o verão

● Beber água regularmente ao longo do dia;

● Evitar exposição prolongada ao sol nos horários mais quentes;

● Reforçar a hidratação em praias, piscinas, caminhadas e viagens;

● Priorizar alimentos ricos em água, como frutas, legumes e verduras;

● Observar sinais como tontura, fraqueza e diminuição da urina

(Redação – Conceito Comunicação)

Foto Ilustrativa Freepik

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