A governabilidade de um país é a justificativa de quem chega ao poder para fazer acordo com deus e o diabo. Quem foi adversário ontem, desde que tenha uns votinhos, passa a ser companheiro, aliado mesmo, parceiro confiável para garantir a dita governabilidade.
O contribuinte – diante de tantos assaltos, homicídios, seqüestros, roubos e furtos, balas perdidas, confronto entre polícia e bandidos, com a extrema violência do dia-a-dia e tombado à lona, sem ter esperança de a democracia sair vencedora – paga o olho da cara para ter segurança, saúde e educação. Nem precisa dizer que paga muito e recebe produto de pouca consistência.
O contribuinte, até o das pequenas cidades, testemunha a banalização da vida. Atira-se e mata por causa de alguns reais. Os problemas sociais aumentam, existe escassez de dinheiro no mercado e o clima é propício ao salve-se quem puder. Os valores morais, cristãos, todos se juntam e não conseguem inibir a voracidade dos revoltados. Os desempregados, sufocados pelos problemas, estaríam pegando na arma para assaltar, subtrair algumas notas para matar a fome de sua família?
É muito triste acompanhar os debates políticos, diante de tantos problemas sociais. Parece que nossos representantes, escolhidos pela vontade das urnas santas e democráticas, estão noutro país.
A vaca está atolada e pouco se faz.
A primeira derrota legislativa do governo quer dizer que estamos partindo para a ingovernabilidade?
O então presidente Collor de Mello caiu porque perdeu a citada governabilidade. A sustentação política era por demais anêmica.