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Cesta básica inicia o ano em alta e compromete 69,8% do salário-mínimo em Araraquara 

Alta foi puxada pela carne bovina e por itens de higiene pessoal, enquanto batata e óleo de soja aliviaram parcialmente o custo da cesta a Fina

O preço médio da cesta básica em Araraquara subiu novamente, registrando em janeiro um aumento de 1,05%, segundo a pesquisa mensal do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara. O valor passou de R$ 1.048,41 em dezembro para R$ 1.059,41 no último mês, encarecimento de R$ 11,00. Pressionada principalmente pelo aumento da carne bovina e de itens de higiene pessoal, a cesta passou a representar quase 70% do salário-mínimo, exigindo mais de 153 horas de trabalho para sua aquisição. 

Gráfico 1 – Evolução do custo médio e variação mensal da cesta básica em Araraquara – janeiro/2025 a janeiro/2026 

Fonte/Elaboração: Sincomercio Araraquara 

Dois dos três grandes grupos que compõem a cesta apresentaram aumento de preço no mês de janeiro: 1) Alimentação, que possui maior peso no custo total da cesta, apresentou variação positiva de +1,16% ou aumento de R$ 9,90 no preço médio e 2) Higiene pessoal inflacionou +1,72%, o que significou um aumento de R$ 2,82. Já o grupo de limpeza doméstica apresentou queda de 1,55%, equivalente a uma redução de R$ 1,07. 

Ainda sobre o mês em análise, os itens com maior aumento percentual foram: 1) Carne de primeira – contrafilé (+8,3%); 2) Sabonete em barra (+6,1%); 3) Farinha de trigo (+5,5%); 4) Açúcar refinado (+3,6%) e 5) Molho de tomate (+3,0%). E os produtos com maior decréscimo percentual foram: 1) Cebola (-19,4%); 2) Batata (-17,1%); 3) Alho (-12,4%); 4) Sabão em barra (-14,6%); 5) Ovos brancos (-3,8%). 

Gráfico 2 – Variação mensal do preço médio dos produtos componentes da Pesquisa de Preços da Cesta Básica em Araraquara – janeiro/2026 

Fonte/Elaboração: Sincomercio Araraquara 

Em termos monetários, a carne de primeira – contrafilé – foi o item que mais contribuiu no custo médio da cesta, com acréscimo de R$ 13,24, resultado da elevação de R$ 4,41 por quilo. Na outra ponta, o item que mais aliviou o bolso dos consumidores foi a batata, com um decréscimo de R$ 3,21 no custo da cesta analisada, em razão da diminuição de R$ 0,80/kg. 

A carne bovina iniciou janeiro com preços elevados, refletindo a continuidade da demanda interna e, sobretudo, o bom desempenho das exportações. Segundo o Cepea/ESALQ-USP, mesmo com a expectativa de avanço gradual da produção ao longo do ano, a oferta de animais para abate seguiu relativamente restrita no início do período, em função da dificuldade de reposição e da retenção de fêmeas. Ao mesmo tempo, o mercado externo permaneceu aquecido, favorecido pelo câmbio desvalorizado e pela menor oferta mundial de carne bovina, o que contribuiu para sustentar as cotações no mercado doméstico. Com esse cenário, os preços do boi gordo e da carne no atacado mantiveram-se em patamares elevados nas principais praças, sem sinal de recuo sazonal típico do começo do ano. 

O arroz branco foi o segundo item com o maior aumento em valores monetários em janeiro. Ainda de acordo com o Cepea, os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul seguiram firmes principalmente no fim do mês, sustentados pela demanda doméstica acima do interesse vendedor. A reposição de estoques nos segmentos atacadista e varejista aumentou a liquidez em relação às semanas anteriores. 

Já a batata apresentou comportamento volátil em janeiro, refletindo a alternância entre momentos de maior oferta e restrições pontuais causadas pelas chuvas. Segundo o HF Brasil/Cepea, o aumento da disponibilidade da safra das águas ao longo do mês pressionou as cotações nos atacados, levando a quedas expressivas em meados de janeiro. No entanto, no fim do período, as chuvas nas regiões produtoras reduziram a oferta e impulsionaram os preços nos principais entrepostos. Assim, a combinação entre oferta elevada e efeitos climáticos pontuais resultou em oscilações nas cotações ao longo do mês, com recuperação parcial dos preços no encerramento de janeiro. 

Gráfico 3 – Evolução do preço médio e da variação mensal da carne de primeira – contrafilé – janeiro/2024 a janeiro/2026 

Fonte/Elaboração: Sincomercio Araraquara 

Inflação acumulada em 12 meses 

No acumulado em 12 meses, a cesta básica subiu R$ 1,93 – o que corresponde a 0,18% de aumento. Dois dos três grandes grupos tiveram seus preços incrementados. O grupo de higiene pessoal obteve inflação de +7,92% ou R$ 9,07 e os produtos de limpeza doméstica registraram aumento de +1,73% ou R$ 1,16. Os itens de alimentação tiveram queda de -0,95%, o equivalente a R$ 8,31. 

Com relação aos itens da cesta, 15 dos 32 produtos apresentaram aumento de preço entre os meses de fevereiro de 2025 e janeiro de 2026. Os itens que apresentaram maior alta acumulada foram: 1) Margarina vegetal (+14,89%); 2) Sabonete em Barra (+13,73%); 3) Creme dental (+11,32%); 4) Café Torrado e Moído (+10,86%); 5) Carne de Segunda – Acém (+9,62%). Os que apresentaram as maiores reduções foram: 1) Alho (-43,93%); 2) Arroz branco (-25,58%); 3) Queijo muçarela – peça (-20,84%); 4) Cebola (-16,03%); 5) Açúcar Refinado (-8,63%). 

Inflação nacional 

Em janeiro de 2026, o subgrupo Alimentação no domicílio do IPCA-15, divulgado pelo IBGE, registrou aumento de +0,21%. O subgrupo Artigos de limpeza obteve uma inflação de 0,31% e o subgrupo de Higiene pessoal foi incrementado em 1,38% no período. 

No cálculo do IGP-M, índice de preços elaborado pela FGV-IBRE, o grupo de Alimentação passou de variação negativa (-0,07%) em dezembro para alta de +0,66% em janeiro. O grupo Habitação, que incorpora o subgrupo Material para limpeza, passou de +0,42% em dezembro para 0,06% em janeiro. Já o grupo Saúde e cuidados pessoais, que incorpora o subgrupo Artigos de higiene e cuidado pessoal, apresentou variação de -0,09% para +0,60% no mês analisado. 

Salário-mínimo 

O custo médio da cesta básica em Araraquara representou até o mês de janeiro de 2026 cerca de 69,8% do salário-mínimo. O tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta, para um trabalhador que ainda recebia o piso nacional vigente de R$ 1.518,00, ficou em 153 horas e 32 minutos, aproximadamente. Essa jornada é levemente superior ao mês anterior, dezembro de 2025, quando eram necessárias 151 horas e 56 minutos de trabalho para consumir a mesma quantidade de produtos. 

O valor está aproximadamente 5,1 pontos percentuais abaixo do registrado no mesmo mês do ano anterior: em janeiro de 2025, o valor da cesta básica representava 74,9% do salário-mínimo vigente à época. Em janeiro de 2024 e 2023, a cesta básica custava, em média, R$ 944,67 e R$ 952,82, representando, respectivamente, 66,9% e 73,2% do salário-mínimo do araraquarense. 

Comparativo com a cesta básica de capitais brasileiras 

Em janeiro de 2026, o custo da cesta básica aumentou em 24 das 27 capitais pesquisadas pela Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pelo DIEESE em parceria com a Conab. As elevações mais expressivas foram observadas em Manaus (4,44%), Palmas (3,37%) e Rio de Janeiro (3,22%). As quedas ocorreram em São Luís (-0,57%), Teresina (-0,51%) e Natal (-0,22%)  

Na comparação entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, limitada às 17 capitais com série histórica completa — uma vez que a coleta de preços nas demais teve início apenas em meados de 2025 —, o custo da cesta básica aumentou em oito capitais e diminuiu em nove. 

Entre os produtos que mais contribuíram para as quedas mensais, destacou-se o arroz agulhinha, cujo preço diminuiu em 23 das 27 capitais, influenciado pelos altos estoques. O preço do óleo de soja foi reduzido em 25 capitais, reflexo de uma expectativa de maior oferta, da fraca demanda doméstica e da valorização do real frente ao dólar. Também houve redução no preço do café em 22 capitais, associada a um choque entre oferta pressionada e demanda enfraquecida. 

Por outro lado, o tomate registrou aumento em 26 capitais, em razão da oferta restrita, com taxas de até 63,5% em Cuiabá e 58,2% no Rio de Janeiro. O pão francês também registrou aumento, em 22 capitais, explicado pelos aumentos de custos da energia elétrica e da farinha importada.  

Serviço:

Sindicato do Comércio Varejista de Araraquara (Sincomercio)

Avenida São Paulo, 662 – Centro

Contato:

economia@sincomercioararaquara.com.br

www.sincomercioararaquara.com.br/nucleo-economia

(Grupo Inca)

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