Ano do palíndromo

Rosa Godoy(*)

O que há de comum entre a data 20/02/2002, a palavra ovo e a frase grega Nipson anome mata me monan opsin (Lava-me a face e os pecados)?

Tratam-se de palíndromos, ou seja, cifras ou vocábulos que lidos da esquerda para a direita ou da direita para a esquerda têm o mesmo significado ou valor. Segundo o jornalista e numerólogo amador, Roberto Whitaker Penteado, “o palíndromo reúne início e fim. É a volta à origem, uma corrida no sentido inverso, o eterno retorno dos filósofos. Tem um sentido de permanência, como se a eternidade fosse trazida ao presente, sem deixar de ser infinita”.

Conhecidos em praticamente todas as línguas mais comuns como latim, In girum imus nocte et consumimur igni (Depois da noite adentramos o círculo e o fogo nos consome), inglês (Madam, I’P m Adam a famosa saudação de Adão a Eva), ou mesmo a mística frase formada por palavras de cinco letras que permite criar um quadrado mágico que pode ser lido igualmente em qualquer direção

(Sator Arepo tenet opera rotas– O semeador Arepo trabalha auxiliado por uma roda), os palíndromos têm acompanhado a humanidade desde a antigüidade até agora. No que tange aos números, há uma variação quase infinita. É o caso de 21978, por exemplo, que multiplicado por 4 é igual ao seu palíndromo 87912. As multiplicações pelos palindrômicos 11, 111, etc dão resultados igualmente palindrômicos: 11×11=121; 111×111=12321; 1.111×1.111=1.234.321 e assim por diante.

2002 é um ano palindrômico, que traz em seu bojo uma data da mesma natureza: 20/02/2002, evento que somente se repetirá daqui a 110 anos em 21/12/2112. Pena que a quase totalidade de nós não estará aqui para ver e comemorar o fato.

Intoxicada pelos miasmas dos descaminhos da humanidade, espero que o ano que se inicia seja palindrômico não apenas na numerologia mas também na vida em geral, trazendo bons fluidos em todos os sentidos. Já é tempo de não permitirmos que eventos como os que temos vivenciado ultimamente (guerras, ataques terroristas, reações mais terroristas ainda) deixem de existir, tanto da direita para a esquerda como da esquerda para a direita. Basta que as políticas econômicas e sociais não permitam exclusões também em todos os sentidos, para não provocar justificativas ignominiosas para reações descabidas.

Qual é a responsabilidade de cada um de nós nisso tudo ? Acredito que, no âmbito pessoal, para sermos palindrômicos devemos, no mínimo, aplicar o que aprendemos com os sábios. Para começar, seguir a máxima de Berthold Brecht (Há homens que lutam um dia e são bons; há homens que lutam um ano e são melhores; há outros que lutam muitos anos e são muito melhores; mas há aqueles que lutam toda a vida – estes são os imprescindíveis). Será que é possível ser bom, melhor, melhor ainda e, finalmente, imprescindível? Para completar, buscar em Machado de Assis a aspiração máxima: ser genial. Para aquele gênio (embora não se considerasse assim), os gênios abrem picadas e os comuns dos mortais as trilhamos.

Apesar de enorme, creio ser este o desafio que nos espera em 2002 para realmente mudar o rumo da humanidade: sermos nada mais, nada menos que palindrômicos: geniais e imprescindíveis, tanto quanto imprescindíveis e geniais, mesmo nas menores coisas do cotidiano. Os atos podem ser comuns, a arte está em fazê-los com genialidade.

(*)Enfermeira e colaboradora do JA.

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