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A natureza pede ajuda

José Renato Nalini (*)

O bicho-homem tem se notabilizado como eficiente fabricante de desertos. O Brasil é um exemplo de como é fácil devastar e difícil regenerar. A sociedade não se dá conta de que, ao exterminar a cobertura vegetal, elimina a fabulosa biodiversidade com que fomos privilegiados e apressa o fim da experiência humana sobre este sofrido planeta.

A esperança está na Academia e nos cientistas que têm noção mais precisa do risco que todos corremos. Um projeto do grupo de pesquisa sobre Agriculturas Emergentes e Alternativas da ESALQ – Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP, em Piracicaba, conduz pesquisa para implantação de sistemas agroflorestais biodiversos em assentamentos federais no Estado de São Paulo.

O objetivo é fortalecer a agricultura familiar e a sustentabilidade dos territórios de reforma agrária. Para isso, aprimora-se a política pública de implantação de sistemas agroflorestais, em colaboração com o Incra – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária.

Essa política de capacitação de pessoas para que o campo mereça profissionais habilitados e que se conscientizem de que é urgente uma cooperação de vários agentes para recompor o ambiente vulnerado, é algo que deveria ser replicado no âmbito de cada município.

Em momentos de geopolítica errática, no retrocesso da política ecológica em virtude de incrível negacionismo, é a vez e a hora das entidades subnacionais – sobretudo os municípios – assumirem o protagonismo heroico e salvífico do projeto humano.

Além da regeneração natural, um projeto desses vai favorecer a criação de empregos verdes, vai fazer com que muitas famílias tenham condições de sustento digno, exercendo uma atividade que já foi a principal neste enorme celeiro ecológico chamado Brasil.

A partir desse experimento, é possível identificar áreas com potencial para expandir os sistemas agroflorestais em assentamentos paulistas, com foco nos impactos verificados e considerados os contextos biofísico, sociocultural e agroecológico, em consonância com os mercados consumidores.

Outras iniciativas convergentes com a intenção de reprimir o êxodo rural e de incentivar a permanência da juventude na lavoura, são muito bem vindas. O Brasil só tem a ganhar se reconhecer que o agronegócio é e continuará a ser a “salvação da lavoura”.

(*) É Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo.

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