São Paulo, abril de 2026 – O diagnóstico precoce de doenças oculares é um dos principais aliados na prevenção da cegueira e da baixa visão e pode evitar até 80% dos casos de deficiência visual, segundo a Organização Mundial da Saúde. O alerta ganha destaque no Abril Marrom, mês dedicado à conscientização dessas condições.
A campanha reforça a importância do acompanhamento oftalmológico regular, já que muitas doenças evoluem de forma silenciosa, causando danos irreversíveis quando descobertas tardiamente. Embora o tema envolva todas as faixas etárias, o cuidado deve ser redobrado entre a população idosa, uma vez que o avanço da idade aumenta o risco de problemas que afetam a capacidade visual e comprometem a autonomia e a qualidade de vida.
Para esclarecer o tema, o oftalmologista Dr. Luiz G. Caprio, do AME Carapicuíba, unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e gerenciada pelo CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, responde às principais dúvidas sobre o tema:
A perda de visão faz parte do envelhecimento ou sempre indica doença?
Algumas alterações são esperadas com o envelhecimento, como a presbiopia, que é a dificuldade para enxergar de perto causada pela perda de flexibilidade do cristalino.
No entanto, qualquer mudança deve ser avaliada por um profissional. Sintomas como perda progressiva da visão, piora em apenas um dos olhos, presença de manchas no campo visual ou redução da percepção periférica não são normais e costumam indicar doenças que exigem diagnóstico e tratamento.
Quais são as principais causas de cegueira e baixa visão em idosos?
As principais causas são catarata, degeneração macular relacionada à idade (DMRI), glaucoma e erros refrativos não corrigidos. Entre elas, a catarata é a mais comum e ocorre quando o cristalino perde a transparência, provocando visão embaçada e maior sensibilidade à luz. Já o glaucoma afeta o nervo óptico, o que leva à perda gradual da visão periférica, muitas vezes de forma silenciosa.
Quais fatores aumentam o risco de perda de visão na velhice?
A idade avançada é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças oculares, especialmente quando associada a hábitos e condições de vida que impactam diretamente a saúde dos olhos. Fatores como tabagismo, consumo de álcool, exposição excessiva à luz ultravioleta, alimentação inadequada e obesidade estão associados a um maior risco de alterações na visão. Além disso, histórico familiar e o uso prolongado de medicamentos, como corticosteroides, também estão relacionados a esses riscos.
Como diabetes e hipertensão afetam a visão?
O diabetes pode causar retinopatia diabética, condição em que os vasos sanguíneos da retina são danificados, podendo levar a vazamentos, formação de vasos anormais e perda progressiva da visão. A hipertensão também afeta os vasos da retina, provocando alterações na circulação ocular. Quando não controladas, ambas levam a complicações.
Quais sinais de alerta não devem ser ignorados?
Alguns sintomas exigem avaliação imediata, como perda súbita de visão, flashes de luz, aparecimento repentino de “moscas volantes”, dor ocular intensa e sensação de sombra ou “cortina” no campo visual. Esses sinais podem indicar quadros graves, como descolamento de retina ou glaucoma agudo, que também oferecem o risco da perda permanente da visão se não tratados rapidamente.
Com que frequência o idoso deve ir ao oftalmologista?
A recomendação é que pessoas com 65 anos ou mais realizem exames oftalmológicos completos a cada 1 ou 2 anos. Para pacientes com doenças crônicas, como diabetes, ou com fatores de risco, o acompanhamento deve ser mais frequente, conforme orientação médica.
Como a baixa visão afeta a autonomia do idoso no dia a dia?
A baixa visão compromete atividades básicas, como se vestir, se alimentar e se locomover, além de dificultar tarefas mais complexas, como administrar medicamentos e finanças. Também pode aumentar o risco de quedas e favorecer o isolamento social.
Qual o principal alerta para idosos e familiares?
Muitas doenças oculares são silenciosas e evoluem lentamente. Quando os sintomas aparecem, a complicação pode estar avançada. Por isso, não é recomendado esperar sinais para procurar atendimento. O acompanhamento regular é fundamental para o diagnóstico precoce e a prevenção da cegueira.
Programa Acompanhante de Idosos e o cuidado com a saúde ocular
O cuidado com a visão está diretamente ligado à manutenção da autonomia e da qualidade de vida. Nesse contexto, o CEJAM gerencia o Programa Acompanhante de Idosos (PAI), uma iniciativa da Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo voltada ao atendimento de pessoas em situação de vulnerabilidade social.
Nas UBSs Vera Cruz, Jardim Maracá e Jardim Comercial, administradas pelo CEJAM em São Paulo, o programa oferece assistência domiciliar personalizada, com apoio às atividades diárias e acompanhamento em consultas e exames. O PAI também contribui para o diagnóstico precoce ao identificar possíveis sinais e sintomas, além de auxiliar aqueles que já apresentam alguma limitação visual.
Com foco na prevenção de quedas e em estímulos cognitivos e motores, atua na manutenção da independência e da capacidade funcional dos idosos. A iniciativa reforça o compromisso do CEJAM com a promoção da saúde e a redução de agravos, especialmente entre populações mais vulneráveis.