A luta pela valorização e pelo respeito à mulher é uma batalha longa, com raízes profundas que atravessam décadas. No entanto, ao olhar para o cenário atual no Brasil, vemos que essa luta, embora essencial, ainda está longe de ser vencida. A violência contra a mulher, em suas diversas formas, continua a assombrar a sociedade de maneira alarmante, com o feminicídio sendo um dos maiores reflexos dessa realidade cruel.
Nos últimos três anos, o aumento do feminicídio no Brasil tem sido assustador, e a nossa macro-região não está imune a essa tragédia.
Em 2022, a promessa de campanhas políticas de que as mulheres seriam mais protegidas se esbarrou na dura realidade: os números continuam a crescer. A previsão para 2025, segundo dados preliminares, aponta para um novo recorde de mortes, com uma média alarmante de quatro mulheres assassinadas por dia, superando as estatísticas do ano anterior.
Mesmo com a existência de leis como a Lei Maria da Penha, que surgiu como um marco importante para o combate à violência doméstica, a verdade é que – ao que parece – essas legislações não são mais suficientes para deter os agressores. Afinal, se o número de mulheres vítimas de violência segue crescendo, seria essa a falha das leis? Ou a falha está na aplicação e no fortalecimento delas?
Neste Dia Internacional da Mulher, o que era para ser um momento de celebração, reflexão e valorização, infelizmente, se traduz em revolta e tristeza. O que deveria ser um dia de conquistas e avanços é ofuscado pela tragédia que ainda persiste. Não importa a classe social a que pertença – seja pobre ou rica –, merece respeito, dignidade e, acima de tudo, paz. Não há justificativa para quem agride, abusa ou tira a vida de uma mulher.
A força física de um homem contra uma mulher é, sem dúvida, uma forma covarde de abuso. E mais do que isso, é um reflexo da desigualdade que ainda persiste em nossa sociedade. Para que essa realidade mude, é imperativo que nossas leis se tornem mais severas e que, de fato, sejam aplicadas com rigor. A prisão perpétua para os autores desses crimes poderia ser um caminho para que a sociedade demonstrasse que esse tipo de violência não será mais tolerada.
Somente com o endurecimento das leis e a responsabilidade das autoridades em garantir sua execução é que poderemos começar a ver uma verdadeira mudança. Enquanto isso, o lamento e a revolta são os sentimentos predominantes, pois sabemos que a luta da mulher, ao contrário do que se esperava, continua. E ainda há muito a fazer para que, de fato, seja valorizada como deveria.
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