Celebrado nesta quinta-feira (19), o Dia do Esportista vai além da homenagem a atletas e profissionais da área. A data chama atenção para um desafio global: cerca de 25% da população adulta mundial não atinge os níveis mínimos recomendados de atividade física, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Neste contexto, especialista da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP) destaca a importância de retomar ou manter a prática regular de exercícios físicos após o período de Carnaval, momento em que muitas pessoas alteram a rotina e reduzem os cuidados com a saúde.
Para a professora Thelma Hoehne Peres Polato, coordenadora do curso de Educação Física da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo (FCMSCSP), o cenário exige que a atividade física seja tratada como prioridade estratégica de saúde pública.
“A inatividade física está entre os principais fatores de risco para a mortalidade global, associada a doenças como hipertensão, diabetes tipo 2, obesidade e doenças cardiovasculares. O Dia do Esportista é uma oportunidade de ampliar o debate público e fortalecer políticas de incentivo à prática regular de atividade física”, afirma.
Benefícios físicos e mentais comprovados
Estudos científicos demonstram que a prática regular de exercícios melhora a aptidão cardiorrespiratória, auxilia no controle da pressão arterial e da glicemia, reduz o colesterol LDL, eleva o HDL e contribui para a manutenção da massa muscular e da densidade óssea.
Os impactos também são significativos na saúde mental. A atividade física está associada à redução de sintomas de ansiedade e depressão, melhora da qualidade do sono e aumento da sensação de bem-estar, em razão da liberação de neurotransmissores como endorfina, serotonina e dopamina.
No envelhecimento, o exercício é determinante para a manutenção da autonomia e da funcionalidade. Idosos fisicamente ativos apresentam menor risco de quedas e maior independência nas atividades diárias.
A OMS recomenda que adultos pratiquem entre 150 e 300 minutos semanais de atividade física moderada ou de 75 a 150 minutos de intensidade vigorosa, além de exercícios de fortalecimento muscular ao menos duas vezes por semana.
Orientação profissional reduz riscos
Com o crescimento de modalidades recreativas, como corridas de rua, futebol entre amigos, beach tennis e treinos funcionais em grupo, a especialista alerta que a orientação profissional é fundamental mesmo fora do ambiente competitivo.
“Existe a percepção equivocada de que atividades realizadas por diversão dispensam acompanhamento. No entanto, muitas lesões esportivas ocorrem justamente em contextos recreativos, quando não há orientação adequada ou controle de carga”, explica.
Segundo ela, o profissional de Educação Física é responsável por avaliar fatores de risco, estruturar o planejamento do treinamento e adaptar os exercícios às características individuais — garantindo segurança, eficiência e prevenção de lesões.
Formação alinhada às demandas da saúde
A formação em Educação Física integra conhecimentos biológicos, pedagógicos e sociais, preparando profissionais para atuação em escolas, academias, clubes, projetos sociais e equipes multiprofissionais de saúde.
“O mercado exige um profissional com visão crítica e atualização constante baseada em evidências científicas. Mais do que desempenho ou estética, falamos de promoção de saúde e qualidade de vida”, reforça Thelma.
Para a coordenadora, o Dia do Esportista deve ser compreendido como uma data estratégica para sensibilizar a população e fortalecer políticas públicas voltadas à prática regular de atividade física — um investimento direto na saúde coletiva.
(Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo)