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Secretária de Cultura de Araraquara projeta reestruturação e valorização dos programas da cidade

Com mais de quatro décadas de dedicação à arte e à política cultural em Araraquara, Euzania Andrade retorna à Secretaria com planos focados em continuidade, escuta e parcerias estratégicas

Luigi Polezze

Com uma trajetória marcada por lutas e conquistas no cenário cultural de Araraquara, a artista visual e gestora cultural Euzania Andrade reassume em 2024 a Secretaria Municipal de Cultura. Reconhecida como uma das articuladoras da fundação da Casa da Cultura na década de 1980, Euzania compartilhou com o Jornal de Araraquara sua história e seus planos à frente da pasta.

Ao assumir o cargo novamente neste ano, a secretária encontrou uma estrutura consolidada, com programas e projetos que remontam ao início dos anos 2000, quando participou da implantação de iniciativas como as Oficinas Culturais Municipais e o tradicional Festival de Teatro Luiz Antônio Martinez Corrêa.

“Fiquei muito feliz ao ver que as estruturas e os programas que ajudamos a construir seguem de pé e em funcionamento. Isso mostra que a cultura, em Araraquara, tem continuidade mesmo com a mudança de governos”, afirma Euzania.

Primeiro passo

Desde seu retorno, a gestora tem priorizado visitas a espaços culturais, reuniões com servidores e encontros com instituições beneficentes atendidas pelas oficinas culturais. “Ouvir os educadores e as entidades parceiras foi meu primeiro gesto. A partir disso, conseguimos melhorar a atuação das oficinas, com quase 4 mil alunos atendidos hoje em várias regiões da cidade”, explica.

A secretária reforça que esse tipo de escuta ativa é fundamental para aprimorar a gestão. “As instituições relataram que nunca haviam sido chamadas para conversar. Esse contato humano, direto, aproxima e fortalece os vínculos entre a gestão pública e os agentes culturais.”

Editais, estrutura e fortalecimento dos espaços

Outro eixo do trabalho atual da Secretaria está voltado ao fortalecimento de editais para projetos culturais e à reativação de espaços públicos. A proposta é ampliar a presença da cultura em diferentes bairros, incluindo eventos itinerantes e apresentações em feiras e espaços alternativos.

Entre as prioridades estruturais está a reabertura da Casa da Cultura, fechada há cerca de seis anos. O espaço está em reforma com recursos do governo estadual, mas a conclusão exigirá mais investimentos. “Sempre chamei a Casa da Cultura de coração da cultura de Araraquara. É ali que temos a Pinacoteca, o Arquivo Rodolpho Telarolli, locais de apresentações e cursos. Ela precisa ser revitalizada”, destaca.

Além disso, Euzania pretende transformar o antigo Matadouro Municipal — prédio histórico atualmente abandonado — em um centro cultural. A proposta, já aprovada pelo Orçamento Participativo, prevê a oferta de cursos gratuitos e atividades ambientais, aproveitando o entorno arborizado do local.

Visão de futuro

Para Euzania, o futuro da cultura em Araraquara passa pela valorização do que já foi construído. “Não acredito em criar muitos projetos novos. Acredito em escutar, entender o que a população precisa e aprimorar o que já existe. A cultura precisa dialogar com a cidade e crescer junto com ela.”

A gestora também pretende estabelecer novas parcerias com outras secretarias municipais e empresas privadas, a fim de ampliar o alcance de ações culturais em áreas como saúde e assistência social.

“A cultura tem um papel fundamental na transformação das pessoas. O que queremos é garantir que ela chegue a todos, especialmente aos que mais precisam.”

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