Luigi Polezze
A sessão da Câmara Municipal de Araraquara, realizada nesta terça-feira (20), foi marcada por forte mobilização de servidores públicos, especialmente membros do SISMAR (Sindicato dos Servidores Municipais de Araraquara e Região), que compareceram em peso ao plenário para protestar contra a proposta de reajuste salarial apresentada pelo Executivo municipal.
O impasse entre a Prefeitura e o funcionalismo se agravou com a greve deflagrada por parte da categoria, que rejeita o reajuste proposto pelo governo, alegando que a medida representa, na prática, uma redução salarial. Segundo os servidores, a incorporação de parte do salário ao vale-alimentação afeta diretamente sua atualização, gerando inclusive perdas.
A Prefeitura, por sua vez, entrou com ação judicial contra o movimento, buscando aplicar multas aos grevistas — o que gerou ainda mais revolta e mobilização.
Diante da tensão e da presença expressiva dos trabalhadores no Legislativo, os vereadores decidiram suspender a votação da pauta e trancar a sessão como forma de solidariedade ao movimento grevista. Nenhum projeto foi analisado ou aprovado nesta terça-feira.
Em entrevista, o presidente do SISMAR, Gustavo Jacobucci, criticou duramente a postura do Executivo:
“A proposta é ultrajante. Não passa nem perto do que é minimamente justo. Depois de anos de perdas, essa é a primeira vez que vemos uma redução de salário numa data-base, algo que deveria garantir no mínimo a reposição. O prefeito atropelou a negociação e enviou o projeto de lei sem dialogar com o sindicato.”
Jacobucci também lamentou a criminalização do movimento grevista:
“O servidor é o único que precisa sofrer para conseguir o mínimo para sobreviver. A greve continua porque o diálogo foi interrompido unilateralmente pela Prefeitura.”
A expectativa agora recai sobre uma possível reabertura das negociações. A mobilização promete continuar até que uma solução seja alcançada de forma justa e transparente, segundo o sindicato.
A reportagem segue acompanhando o caso.
