José Pio Martins (*)
Pobreza não é destino. Uma cerca corta a cidade de Nogales ao meio. De um lado, ao norte, está Nogales, estado do Arizona. Do outro lado, ao sul, está Nogales, província de Sonora. Em Nogales ao norte, a renda por habitante é de US$ 30 mil anuais. A escolaridade média é alta. O sistema de saúde é bom. A taxa de criminalidade é baixíssima. Ninguém tem medo de sair às ruas. O padrão das moradias é alto. A população confia no governo. Enfim, Nogales, no Arizona, é uma cidade desenvolvida, com elevado padrão de bem-estar social.
Outro lado
Em Nogales ao sul, a renda por habitante é de um terço da vizinha do norte. O sistema educacional é precário. A escolaridade é baixa. O sistema de saúde não funciona. A criminalidade é alta. As moradias são ruins. As estradas esburacadas. Abrir um negócio é arriscado. O governo é corrupto. Enfim, Nogales, em Sonora, é uma cidade pobre, atrasada, com baixo padrão de bem-estar social.
Incrível
Como é possível as duas metades da mesma cidade serem tão diferentes? pós a guerra México-Estados Unidos de 1846-1848, os Estados Unidos adquiriram territórios mexicanos e as duas cidades nasceram separadas por uma cerca.
Óbvia
A primeira conclusão: Nogales do Arizona desfruta das instituições norte-americanas, de alta qualidade enquanto a Nogales de Sonora sofre com as instituições mexicanas, de baixa qualidade, ineficientes e corruptas. Pobreza não é destino, e pode ser superada mesmo nos países com escassos recursos naturais, desde que, para começar, tenham instituições eficientes e de alta qualidade. Com instituições boas, o progresso acontece.