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(Editorial) Saúde mental de nossos jovens

Folha de S.Paulo, terça (8 de março), assinado por Rosely Sayão, trouxe artigo falando sobre o costume de se pressionar crianças, até o limite, para que sejam bons alunos, "mas isso pode resultar em ansiedade e desânimo". Pode chocar, mas está na matéria: "pesquisas apontam aumento na taxa de suicídio entre os jovens brasileiros, e o fenômeno é mundial. Por esse motivo, alguns países têm se preocupado com a depressão em crianças e jovens. A Academia Americana de Pediatria, por exemplo, recomendou que os médicos devem procurar sinais dessa doença nos mais novos. Sinal amarelo piscando".

Descuido

Diz a articulista da FSP que precisamos pensar com atenção na saúde mental de nossas crianças e de nossos jovens. "Mas parece que nem as famílias e nem as escolas têm essa questão como importante: ambas são criadoras de muitas causas que podem afetar negativamente a qualidade de vida emocional de quem elas deveriam cuidar. Vamos levantar alguns pontos que podem provocar pressão em demasia, ansiedade e medos de fracasso nas crianças e nos jovens. Primeiramente, a pressão sobre a vida escolar. Nunca, nunca antes tivemos famílias e escolas tão empenhadas em fazer com que filhos e alunos tenham alta performance escolar, o que significa, é claro, boas notas, aprovação com destaque em exames e provas etc. Mas por quê? Porque, de repente, decidimos que o bom rendimento escolar da criança é pré-requisito fundamental para um futuro profissional promissor. Posso assegurar-lhe que não é, por dois motivos bem simples. Primeiro: bom rendimento escolar não significa necessariamente bom aprendizado. Segundo: estamos um pouco atrasados nessa premissa, já que, hoje, ter estudos não garante nada, absolutamente nada em termos profissionais, e não apenas em nosso país. Agora, imagine crianças (inclusive as mais novas) e jovens pressionados até o limite para que sejam bons alunos. Só pode resultar em ansiedade, desânimo, receios etc. Junte a isso as acirradas competições às quais eles são submetidos, o bullying (que reputo à ausência de adultos na tutela dos mais novos), as agendas lotadas de compromissos, as intermináveis lições de casa (muitas vezes motivos para brigas entre pais e filhos), a erotização precoce que promove busca infantil por um determinado tipo de beleza etc.

Uau! Se para um adulto essa mistura já pode ser explosiva para a sanidade mental, imagine para crianças e adolescentes… E o que podemos fazer?

Muita coisa! Deixar de confundir cobrança com pressão já pode ser um grande passo. Nossos filhos e alunos precisam ser cobrados a levar sempre adiante sua vida escolar. Mas precisamos ser mais compreensivos quando eles não conseguem, e ajudá-los no esforço que precisam investir para aprender, em vez de pressioná-los mais ainda.

As famílias podem e devem também ensinar os filhos a lidar com suas emoções. Sabe quando uma criança pequena pega algum objeto de vidro e os pais o ensinam a tomar cuidado porque é frágil e ela pode quebrar, mesmo sem querer? Podemos fazer a mesma coisa com os sentimentos que ela experimenta. Posso ilustrar isso que acabei de dizer com o seguinte exemplo: quando uma criança manifesta raiva, devemos ensiná-la que essa emoção e suas manifestações podem machucá-la e também os outros.

E a escola precisa se dar conta de que o ambiente escolar pode ser (e em geral é) neurotizante para muitas crianças! E não é por falta de conhecimento que não mudamos esse panorama.

Vamos cuidar da saúde mental de nossas crianças e jovens tanto quanto cuidamos de sua saúde física"; termina Roseli Sayão. Um texto bem alinhavado para motivar os participantes dessa transformação. O convite é extremamente direto e ninguém deve se omitir. Afinal estamos falando de gente que amamos, não é mesmo?

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