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Servidão Humana

Luiz Leitão (*)

Numa convivência desequilibrada, é muito comum uma pessoa submeter-se às exigências desmedidas de outra, contra sua vontade. Umas o fazem por medo, outras para querer agradar, desagradando a si mesmas. Excetuando-se qualquer tipo de coerção, ninguém é obrigado a fazer aquilo que não quer, ou que vai contra seus princípios.

Muitas mulheres e homens submetem-se ao um domínio e descabido, não só de seus parceiros, mas de seus filhos, colegas ou amigos.

Vivem, infelizes, para agradar aos outros, esquecendo-se de que, egoísmos à parte, devem primeiro agradar a si próprias. Não somos responsáveis pela felicidade ou infelicidade, ou ainda pelas frustrações dos outros. Ninguém deve se impressionar com comentários do tipo: você me decepcionou. Nada disso, o outro é que se iludiu a seu respeito, construiu a imagem de você que lhe convinha e passou a exigir que você se comportasse em conformidade com aquela pessoa idealizada.

Quanto mais uma alguém se submete aos caprichos de outra, mas difícil fica se libertar desta situação, e passa a viver uma verdadeira servidão humana.

Uma mulher não deve jamais ceder a primeira vez, como, quando por exemplo, o marido diz que ” não quer” que ela trabalhe. Ele não tem que querer nada, e sim ela.

Existem outras formas de servidão, como se submeter a chantagens emocionais em detrimento de suas próprias aspirações. Pessoas que agem assim com os outros, fazendo-se de donas delas, não as amam, certamente. Só pensam em si, são extremamente egocêntricas e se imaginam o centro da relação.

Quanto mais a pessoa cede, mais aumenta o poder exercido sobre ela, e só há um jeito de libertar-se: por mais sacrificado que possa ser ou aparentar, é necessário começar a contrariar seu (s) parceiro(s), colegas, filhos, chefes (com certo cuidado neste caso, pois viver é preciso e o emprego é fundamental). Pare de fazer, contra sua vontade, coisas absurdas que lhe são exigidas.

A primeira reação do tirano será de ira, mas a ira é um presente que você sentia e agora devolve a ele, não mais o aceita. Se for para alguém ficar aborrecido, que seja o outro, não você.

Não está a fim de cozinhar hoje? Pois não cozinhe, dê a si própria este direito. Ninguém vai morrer de fome por isto.

Verá que, com o tempo, se o seu parceiro cair na real e gostar mesmo de você, irá mudar seu modo de agir e você se libertará. Caso contrário, será o fim da relação, e é melhor que assim seja então.

Muita gente confunde possessão com amor. O amor não prende, não sabota. Tente ver se a pessoa que está ao seu lado gosta mesmo de você ou da sua eventual beleza, riqueza, prestígio ou inteligência. Não é tarefa simples, muitas vezes os sinais são sutis, mas também podem ser escandalosos, mas que talvez as pessoas não percebam por estarem acostumadas com tal comportamento, chantagens emocionais. Ora, o que é uma chantagenzinha perto da violência doméstica, não é mesmo? Pobre raciocínio, este “dos males, o menor”.

A liberdade sempre requer alguma renúncia, às vezes uma grande renúncia, pois liberdade é poder escolher, e toda escolha traz consigo o abrir mão de alguma outra coisa.

Sacrificar-se pode fazer muito sentido, é nobre, desde que a causa justifique. Já a servidão é análoga à escravidão, psicológica que seja, mas sempre um servir a um mau senhor.

Mesmo nas relações comerciais, profissionais lançam mão de coisas piegas, como pedir que alguém compre um produto “para ajudá-lo”. Não é raro ouvir este pobre argumento, que só depõe contra quem o usa, em instituições financeiras. Ou também a quase súplica para que não se denuncie um mau profissional, sob a alegação de que ” assim você vai me prejudicar”. Não, quem se prejudicou foi o próprio, ao agir de maneira errada. Há muita gente boa precisando de emprego, por que preservar quem não merece?

Saiba dizer não, especialmente quando não quer dizer sim, mas o faz por timidez.

(*) É Administrador e articulista (Brasil)

luizleitao@ebb.com.br

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