A estatística sobre ocorrências policiais em Araraquara oferecia a imagem da violência. Parece que, visando diluir a imagem em tela, a PM deixou de fazer a estatística ou entregá-la à mídia. Mas, isso não resolve: nos últimos tempos a cidade tem sido palco de ocorrência de todo quilate: a bola da vez é o seqüestro, relâmpago de preferência. Dinheiro fácil, rápido e supostamente seguro tornando a todos sequestráveis. A insegurança gera pânico e a qualidade de vida vai para o lixo.
A polícia civil e militar, pouco interessa a dicotomia porque o cidadão paga pela segurança (custa caro, pelo menos 4 meses do que se ganha durante o ano vão para o governo), enquanto força da sociedade, ambas deveriam apresentar relatório completo a cada semana ou mensalmente, a fim de mostrar aos contribuintes o que aconteceu, qual foi o desdobramento e como poderemos ajudar a combater o time do mal.
Guardar segredo, para quê?
Tem que mostrar a cara como, aliás, fez o capitão Figueiredo, comandante da 3ª Cia. em artigo sobre segurança nas audiências públicas. Pegamos uma carona neste pronunciamento que merece ser lido com atenção.
“A segurança pública é talvez o tema que mais aflige a comunidade.
Isso ocorre porque segurança é um estado de espírito, uma sensação, algo intangível que afeta a qualquer pessoa, independente de onde se encontre.
Um fato criminoso que ocorre num outro País, num outro Estado ou em uma outra Cidade, ao ser noticiado gera naquele que vê / ouve a percepção de que o perigo está muito próximo de si, que pode ele ser a próxima vítima, dentro ou fora de sua casa.
Claro que não vivemos como há 20 ou 30 anos quando era possível esquecer um pertence do lado de fora de casa e, retornando algum tempo depois, reencontrá-lo intacto. Isso acabou!
Os valores se deterioraram, o número de delinqüentes aumentou, a desigualdade social se acentuou, de tal forma que a bicicleta esquecida na calçada (quase) certamente não estará mais lá…
Mas também é importante ter a consciência de que não estamos num cenário de uma guerra, onde o risco de perder a vida é medido segundo a segundo… Ou seja, é preciso esquecer a “tranqüilidade” do passado e, ao mesmo tempo, não se imaginar no meio de um conflito armado, sem ordem, lei ou controle.
A informação é, no meu modo de ver, a forma mais adequada, do ponto de vista preventivo, de se preparar a comunidade para que ela tenha a noção exata do grau de violência existente e também do esforço policial despendido para construir um estado de segurança pública.
Neste contexto, tenho utilizado de uma ferramenta importante para viabilizar informações à comunidade: realizo, na minha área de competência territorial, Audiências Públicas com a comunidade sobre segurança pública e temas correlatos.
As Audiências Públicas constituem-se num rico momento de prestação de contas sobre o trabalho da Polícia Militar no bairro ou na cidade onde se realiza, bem como o devido esclarecimento sobre o sistema de segurança pública: muitas pessoas imaginam que a PM é a única instituição que atua na área, talvez pelo fato de ser ela a mais ostensiva e usar farda.
Sempre esclareço às pessoas que o Sistema de Segurança Pública envolve as Polícias (Militar, Civil e Federal), o Ministério Público, o Poder Judiciário e os Órgãos responsáveis pela Execução Penal: todos atuam como uma grande engrenagem, cada qual com sua tarefa específica, sendo certo que o trabalho ineficaz ou incompleto de uma repercute diretamente no sucesso do outra.
O combustível desta grande engrenagem é a Lei Penal e Processual Penal, que pode fazer com que tudo ocorra conforme ou desconforme o anseio social. Cada um dos responsáveis pelo Sistema de Segurança Pública tem a Lei para cumprir e, não poucas vezes, ela é extremamente favorável ao seu infrator .
A comunidade precisa saber disso, e nas Audiências sempre falo!
Agora o momento mágico das Audiências Públicas é a prestação de contas do trabalho realizado: procuro sempre me fazer acompanhar dos policiais militares que atuam na área ou na cidade. Lá apresentamos um balanço do que fizemos e ouvimos dos nossos “clientes preferenciais” o que eles querem de nós como Instituição e como seus servidores …nesta hora ouvimos os reclamos que muitas vezes não são da nossa competência resolver, mas que, pela confiança depositada, nos impulsionam à obrigação de encaminhá-los para solução.
Nas Audiências Públicas é oferecida á comunidade a oportunidade de comparar o seu bairro ou a sua cidade permitindo-lhe uma avaliação mais coerente de sua segurança, diminuindo um pouco o impacto que a mídia pode trazer ao noticiar, com destaque, evento que se deu a milhares de quilômetros.
Por tudo isso, acredito neste projeto e conclamo as pessoas para que participem ativamente.
Segurança Pública, é sempre bom lembrar: é dever do Estado, mas também é responsabilidade de todos”.
Pois é, capitão, os veículos de comunicação estão aptos a amplificar seu trabalho que deve ser mais abrangente.
Sem dúvida, como podemos ser a próxima vítima, é melhor a união para viver melhor e combater o inimigo comum. Todos, devemos sair do discurso e entender que os contribuintes são nosso patrão.
Com idealismo e humildade, sem carteiradas, poderemos vencer essa violência que maltrata, rouba a fé e chega a matar.