Em rodas de conversa entre pessoas nascidas entre 1950 e 1970, época de ouro do ensino fundamental público, é comum perceber a saudade de uma época em que a escola e o respeito aos professores tinham um significado muito especial.
Nas escolas de antigamente, no chamado curso primário, quando as vagas eram limitadas e a qualidade do ensino público era um objetivo para as escolas particulares, os alunos formavam filas para entrar nas salas de aula. Todos usavam uniformes. Ao chegar da professora, os estudantes se levantavam e tinham enorme respeito por seus educadores. Durante as aulas, o silêncio e a atenção eram regras.
Semanalmente, também havia o hasteamento da Bandeira Brasileira, acompanhado pelos alunos que entoavam os hinos cívicos, entre eles Hino Nacional e Hino à Bandeira. Quem é da época, tem até hoje gravados na memória.
O ensino público daquele período era marcado pela valorização das matérias básicas. Aprendia-se o “bê-á-bá”, como: matemática, geografia, história e outras disciplinas fundamentais para a formação dos estudantes. As brincadeiras entre colegas, em geral, faziam parte de uma convivência mais próxima, e o respeito era um valor constantemente cobrado.
Em Araraquara, por exemplo, o Colégio Progresso é uma instituição tradicional que atravessou gerações e permanece em atividade até hoje, mantendo um olho no futuro e o outro nas boas tradições. Naquela época, funcionava também como internato.
A educação, porém, não era responsabilidade exclusiva da escola. Vinha, sobretudo, de casa. Muitos pais repetiam uma frase que ficou na memória de gerações, “a escola foi feita para ensinar as matérias, não para educar os filhos.”
Hoje, muita coisa mudou.
Professores enfrentam dificuldades crescentes para exercer sua profissão. Alguns acabam abandonando a carreira que um dia escolheram por vocação, diante da falta de respeito, falta de bom pagamento, dos conflitos em sala de aula e, em situações mais graves, de ameaças e agressões físicas.
Enquanto isso, muitas famílias que possuem condições financeiras e se preocupam com a formação dos filhos procuram escolas particulares, na expectativa de encontrar ambientes de maior qualidade. Ainda assim, a educação e o respeito precisam ser cultivados em qualquer instituição de ensino, independente se particular ou pública.
É claro que cada época tem suas características, e no passado também teve dificuldades e há exceção para toda regra. Entretanto, não podemos ignorar a importância de valores como disciplina, responsabilidade, respeito aos mais velhos e valorização dos professores.
A escola precisa ensinar, mas a família não pode abrir mão de seu papel na formação dos filhos. Educação e conhecimento devem caminhar juntos.
Diante de tantas mudanças na sociedade, fica uma pergunta que merece a reflexão de todos:
O que podemos esperar das futuras gerações se não recuperarmos o respeito, a educação e os valores que começam a ser ensinados dentro de casa?