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(EDITORIAL) Araraquara não pertence mais aos pagadores de impostos?

Há anos, Araraquara vem enfrentando um problema que deixou de ser pontual e passou a fazer parte da rotina da cidade: o aumento da população em situação de rua ocupando praças, calçadas, prédios abandonados e outros espaços públicos.

As reclamações chegam dos quatro cantos da cidade. E, infelizmente, em alguns casos, a situação ultrapassa o simples desconforto e passa a gerar medo e insegurança para moradores e comerciantes.

Um relato enviado por uma leitora do Jornal de Araraquara mostra a dimensão do problema. Segundo ela, ao retirar o carro da garagem para levar a filha à escola, foi abordada por uma pessoa pedindo dinheiro. Como não tinha — e afirma que, mesmo tendo, não daria —, o homem teria chutado violentamente o veículo, assustando sua filha.

Fica a pergunta: até quando o cidadão que trabalha, paga seus impostos e cumpre suas obrigações terá de conviver com situações como essa?

E as nossas praças?

As praças sempre foram espaços de convivência. Famílias, idosos, crianças e amigos costumavam frequentá-las para conversar, descansar e aproveitar alguns momentos de tranquilidade depois de um dia de trabalho.

Hoje, porém, muitos moradores dizem não se sentir seguros em determinados locais.
É preciso deixar claro: a população em situação de rua também precisa de atenção, acolhimento e políticas públicas. Não se trata de ignorar quem está em situação de vulnerabilidade. Trata-se de cobrar do poder público uma solução que preserve, ao mesmo tempo, a dignidade dessas pessoas e o direito dos demais cidadãos, ao sossego e à utilização dos espaços públicos, pois são eles que pagam os impostos, para terem segurança.

E esse problema não é exclusivo de Araraquara. Há mais de duas décadas, a população em situação de rua vem crescendo na maioria das cidades brasileiras, revelando um problema social que não pode continuar sendo empurrado de uma administração para outra, tanto na esfera federal , estadual e municipal.

Nossos leitores fazem uma pergunta que merece resposta das autoridades: qual é a solução?
Quem paga seus impostos, trabalha, sustenta sua família e cumpre suas obrigações também merece ser respeitado. Não é justo que o cidadão tenha medo de sair de casa, levar os filhos à escola ou simplesmente sentar em uma praça de sua própria cidade.

É preciso cobrar políticas públicas efetivas, fiscalização, acolhimento, tratamento para quem necessita, segurança e, quando for o caso, encaminhamento adequado para que cada pessoa possa reconstruir sua vida.

O espaço público pertence a todos.

Araraquara precisa voltar a ser uma cidade onde o trabalhador possa caminhar pelas ruas, levar seus filhos à escola e frequentar suas praças e demais logradouros públicos com segurança e tranquilidade.

A população está fazendo a sua parte. Agora, espera respostas e ações concretas das autoridades.

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