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Dia Mundial da Psoríase: novos tratamentos conseguem controlar a doença

Data foi criada para combater o preconceito contra uma doença que vai muito além das lesões na pele; medicamentos biológicos já permitem controle mais preciso até de casos graves

Quem olha apenas para as manchas e placas avermelhadas na pele pode não imaginar o impacto que a psoríase pode provocar na vida de quem convive com a doença. Além do desconforto físico, pacientes enfrentam constrangimento, preconceito e limitações sociais. E, em alguns casos, a doença também pode atingir unhas, couro cabeludo e articulações.

É justamente para ampliar o conhecimento sobre a doença e combater o preconceito que uma iniciativa de pacientes acabou criando o Dia Mundial da Psoríase em 29 de outubro. Desde 2004, a data ganha mobilização internacional para dar visibilidade à doença e, atualmente, é lembrada em mais de 70 países.

Olhe além da minha pele

A campanha internacional de 2026 tem como lema Look Beyond My Skin – Olhe além da minha pele, com foco especialmente nos jovens e na necessidade de enxergar a pessoa para além das manifestações visíveis da doença.

Para o dermatologista Weber Coelho, mestre em Dermatologia pela USP e membro efetivo da SBD – Sociedade Brasileira de Dermatologia, um dos principais avanços da dermatologia nas últimas décadas foi justamente a possibilidade de tratar a psoríase de maneira muito mais específica.

Da pele para o sistema imunológico

“A psoríase não deve ser encarada simplesmente como uma doença de pele. Existe um processo inflamatório por trás das lesões e hoje conseguimos atuar em pontos muito específicos dessa inflamação”, explica Coelho.

É nesse cenário que entram os medicamentos biológicos, uma classe de tratamentos que vem sendo utilizada há cerca de uma década e que representa uma mudança importante na maneira de controlar a psoríase inclusive de casos graves. Diferentemente de medicamentos que atuam de maneira mais ampla sobre o organismo, os biológicos podem bloquear moléculas específicas envolvidas no processo inflamatório, como determinadas interleucinas (proteínas que regulam a imunidade).

“O que mudou foi a possibilidade de atingir um alvo muito específico da inflamação, com resultados na pele, couro cabeludo e unhas, sem precisar de medicação que atue de forma geral no organismo, ganhando qualidade de vida”, explica o dermatologista.

Tratamentos já estão disponíveis no SUS e nos planos de saúde

Embora os medicamentos biológicos sejam frequentemente associados a tratamentos de última geração, eles já fazem parte da prática médica e dos protocolos brasileiros: o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Psoríase do Ministério da Saúde, atualizado em junho de 2025, inclui cinco medicamentos biológicos indicados dentro de critérios específicos, especialmente para pacientes que não responderam ou apresentam contraindicações aos tratamentos convencionais. E naa saúde suplementar, a cobertura obrigatória também contempla diversos imunobiológicos para pacientes com psoríase.

Não é uma doença contagiosa — mas o preconceito ainda é grave

A psoríase é uma doença crônica, inflamatória e não contagiosa. Mesmo assim, a aparência das lesões ainda provoca situações de constrangimento e afastamento social. “Uma das razões para o Dia Mundial existir é justamente essa. Muitas pessoas ainda acreditam que podem ‘pegar’ psoríase pelo contato, quando isso não acontece. O paciente não precisa ser isolado. Precisa ser diagnosticado, tratado e respeitado”, afirma Weber.

Tratamento é individualizado

Apesar dos avanços, os medicamentos biológicos não significam que todo paciente com psoríase deva recebê-los. A escolha depende da gravidade da doença, áreas atingidas, tratamentos anteriores, outras doenças, idade e características individuais, daí a importância do acompanhamento médico. “Hoje temos um arsenal terapêutico muito maior. Isso é uma excelente notícia, mas não significa que exista uma única medicação ideal para todos. O tratamento precisa ser individualizado e acompanhado pelo dermatologista”, ressalta Weber Coelho.

Foto: divulgação – Weber Coelho – dermatologista

(Blanche Amancio Silva)

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